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Exterior positivo após vitória dos democratas nos EUA apoia Ibovespa depois de 6 quedas

Independência do Partido Democrata gera expectativa, mas incertezas internas limitam alta.

Maria Regina Silva 04/11/2026
Exterior positivo após vitória dos democratas nos EUA apoia Ibovespa depois de 6 quedas

O apetite por risco no exterior sustenta o Ibovespa, favorecendo uma correção após seis quedas seguidas, mas as incertezas político-econômicas domésticas tendem a limitar uma alta mais firme. Permanecem em foco a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), às 18h30, o Novo Caged de setembro e balanços, como o do Itaú Unibanco. No exterior, foi divulgada a pesquisa ADP do setor privado nos Estados Unidos, que apontou a geração de 86 mil vagas em outubro.

Nos EUA, a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas retirou do Partido Republicano o controle da Câmara e do Senado, o que pode dificultar a agenda do presidente norte-americano, Donald Trump, no restante do mandato.

"O desfecho confirma as pesquisas que vinham apontando baixa aprovação do governo Trump, em meio às instabilidades geradas desde o início de seu segundo mandato, que incluem medidas tarifárias e os impactos da guerra contra o Irã nos preços dos combustíveis", afirma Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.

Na manhã de hoje, os índices das bolsas em Nova York e na Europa apresentavam alta, com recuo dos rendimentos dos Treasuries. O preço do petróleo caiu quase 3%, impactando ações ligadas à commodity, enquanto o minério de ferro subiu 1,56% em Dalian, favorecendo os papéis do setor. A Vale registrou alta de 1,94% às 11h32, enquanto a Petrobras enfrentava uma queda próxima a 3%.

"Essa movimentação do petróleo e dos juros pode ser a notícia que o investidor precisava para respirar um pouco, mas acredito que seja apenas um breve respiro diante de um cenário desafiador no Brasil", declara Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester, referindo-se às incertezas fiscais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Divulgado ontem, o balanço do Itaú Unibanco mostrou lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões, com retorno sobre o patrimônio (RoE) de 23,6% na operação consolidada e de 24,5% no Brasil, apesar de uma deterioração nas receitas com serviços e seguros. Já a BB Seguridade reportou queda de 5,1% no lucro, enquanto as ações do Itaú subiam 2,29%.

No que se refere ao Copom, entre 75 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 39 preveem novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, para 13,50%, hoje; enquanto 36 instituições estimam a manutenção da taxa nos atuais 13,75% ao ano.

"A deterioração das condições financeiras, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação elevaram as apostas de manutenção da Selic em 13,75%, interrompendo temporariamente o ciclo de cortes", analisa Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

De acordo com Mendes, da Manchester, a alta do Ibovespa é vista mais como uma compra técnica dentro de um cenário de baixa. "Se a política do PT, exposta nas eleições, prevalecer no Lula 4, é Bolsa para baixo. A notícia dos Estados Unidos de hoje não consegue alterar a dinâmica da dívida pública brasileira", afirma o economista.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos.

Às 11h38 desta sexta, o Índice Bovespa apresentava alta de 1,03%, registrando 167.234,84 pontos, após ter alcançado uma máxima de 1,33%, a 167.729,56 pontos, e aberto em 165.547,88 pontos, próximo à mínima de 165.541,38 pontos.