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Ruas anuncia três secretários e promete teto de gastos para conter déficit de R$ 14 bi no RJ

Governador eleito também anunciou "estrutura mais enxuta", mas ainda não definiu quantas secretarias terá a próxima gestão; Segurança Pública segue sem titular escolhido.

Por Sputnik Brasil 03/11/2026
Ruas anuncia três secretários e promete teto de gastos para conter déficit de R$ 14 bi no RJ
Douglas Ruas apresenta novos secretários e medidas para conter déficit no RJ. - Foto: © Foto / Assessoria Douglas Ruas

O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), anunciou nesta terça-feira (3), os três primeiros integrantes de seu secretariado para a gestão que começa em janeiro de 2027. Durante apresentação na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro da capital, Ruas também confirmou que pretende criar um teto de gastos para limitar o crescimento das despesas públicas estaduais e enfrentar o déficit estimado em quase R$ 14 bilhões para o próximo ano.

“A primeira pergunta a ser respondida é: houve perda de receita? Não. Tivemos um aumento de receita de mais de 20%, então o problema é que a despesa aumentou para além da receita. É por isso que chegamos ao déficit. O projeto de lei que vamos discutir tem o objetivo de limitar o crescimento dessa despesa”, afirmou.

Os nomes anunciados foram Anderson Monteze, que ficará à frente da Secretaria Estadual de Planejamento, Gestão e Inovação; Maria Gabriela Bessa, escolhida para comandar a Casa Civil e Governança; e Fernanda Louback (PL), vice-governadora eleita, que acumulará o cargo com a Secretaria de Políticas Inclusivas e da Mulher. A última já havia sido anunciada anteriormente para a função.

Revisão do orçamento

Escolhido para comandar a Secretaria de Planejamento, Gestão e Inovação, Anderson Monteze terá a responsabilidade de conduzir parte das medidas de ajuste fiscal do novo governo. Entre as primeiras tarefas estão a revisão da proposta orçamentária de 2027, antes da votação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), e a elaboração de um projeto de teto de gastos.

Policial rodoviário federal de carreira e especialista em administração pública, Monteze já conhece a estrutura do governo estadual. Entre 2020 e 2023, foi subsecretário de Planejamento e Orçamento durante as gestões de Wilson Witzel e Cláudio Castro. O futuro secretário também ficará responsável pelo planejamento da convocação e formação dos 2.189 aprovados no último concurso da Polícia Militar.

Casa Civil terá estrutura mais enxuta

A gestora pública Maria Gabriela Bessa assumirá a Secretaria da Casa Civil e Governança. Socióloga e especialista em Política e Planejamento Urbano, ela ocupava a Secretaria de Estado das Cidades e também coordenou a equipe de transição de governo. Gabriela assumiu a pasta após Douglas Ruas deixar o cargo para disputar o governo estadual e participou da elaboração do plano de governo apresentado durante a campanha.

A proposta é modificar a estrutura da Casa Civil, retirando parte das atribuições operacionais e concentrando a atuação da secretaria na coordenação de projetos estratégicos e na integração entre as demais pastas.

“Teremos uma secretaria da Casa Civil num formato diferente do que nós vimos nos últimos anos aqui no estado do Rio. Nós vimos um modelo de Casa Civil muito inchado, com muitas políticas públicas embaixo, e nós vamos ter um modelo mais enxuto”, afirmou Ruas.

Ruas critica questionamentos sobre eleição no Rio, mas evita falar de Flávio

Durante a coletiva, o governador eleito também foi questionado sobre as iniciativas de Eduardo Paes (PSD) na Justiça para tentar garantir a realização de um segundo turno nas eleições estaduais.

Paes recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir pela anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos). A decisão alterou o cálculo dos votos válidos e permitiu a proclamação de Douglas Ruas como eleito em primeiro turno.

Ao comentar o assunto, Ruas criticou os movimentos que tentam questionar o resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral e afirmou que considera a discussão encerrada.

“Temos que lamentar movimentos que tentam insurgir contra a decisão da Suprema Corte do país. Isso é uma afronta à Justiça Eleitoral e temos a pura convicção de que essa questão está encerrada”, declarou.

No entanto, ao ser perguntado sobre os posicionamentos de Flávio Bolsonaro, seu aliado político, em relação ao resultado das eleições presidenciais e à atuação da Justiça Eleitoral, Ruas encerrou a coletiva de imprensa sem comentar o assunto.

Segurança Pública ainda aguarda definição de secretário

Uma das principais escolhas pendentes para o próximo governo é a do titular da futura Secretaria de Segurança Pública. Douglas Ruas afirmou que pretende adotar um novo modelo administrativo, com as polícias Civil e Militar subordinadas à pasta, em vez de manter as duas corporações com status de secretarias independentes, como ocorre atualmente.

A proposta prevê que a Secretaria de Segurança Pública concentre o planejamento estratégico e a coordenação das ações das forças policiais. A estrutura também poderá incorporar a Defesa Civil e a Administração Penitenciária, mas o desenho definitivo ainda está em discussão.