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Ibovespa apresenta forte queda devido a riscos fiscais e incertezas sobre equipe econômica de Lula 4

Mercado aguarda decisões do Copom e resultados corporativos em meio a incertezas financeiras

Maria Regina Silva 03/11/2026
Ibovespa apresenta forte queda devido a riscos fiscais e incertezas sobre equipe econômica de Lula 4

Na volta do feriado, o Ibovespa abriu a terça-feira, 3, com uma forte queda, renovando mínimas e atingindo o nível de 165 mil, após uma máxima de 168 mil pontos. Esse recuo ocorre apesar da alta em boa parte das bolsas de Nova York e antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira, além do payroll dos Estados Unidos, que será divulgado na sexta-feira, em um cenário marcado por incertezas fiscais no Brasil.

Além disso, o mercado também está atento à sequência de balanços financeiros, com a divulgação do resultado trimestral do Itaú Unibanco prevista para hoje.

As preocupações em relação à trajetória da dívida pública no país e as indefinições sobre os nomes que integrarão a equipe econômica do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir de 2027, levaram o mercado financeiro e analistas a especulações sobre a manutenção da Selic em 13,75% nesta quarta-feira. O Índice Bovespa também é impactado pela queda no preço do petróleo, com o Brent recuando 1,15% (US$ 103,55), além de uma baixa de 0,74% no minério de ferro.

A postura defensiva na Bolsa acompanha a valorização do dólar em relação ao real e a alta nos juros futuros, em um contexto de revisão para baixo das projeções sobre a taxa Selic e a inflação no boletim Focus.

Segundo Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, o mercado inicia a semana ainda sob o efeito da reprecificação pós-eleição, mas com a influência de diversas notícias. Ele menciona, por exemplo, a proposta monetária e fiscal defendida pelo economista André Lara Resende, que sugere uma redução gradual da Selic com o apoio de parte do governo, além de mencionar relatos sobre uma gestão que poderia contar com nomes mais heterodoxos na equipe econômica de Lula 4.

De acordo com Chicoli, a dinâmica do mercado continua marcada pela incerteza em torno do perfil do próximo governo Lula, pela expectativa de sinalizações sobre o programa e, principalmente, pelos nomes que comporão a equipe econômica. “Em momentos de incerteza e volatilidade, os investidores tendem a se comportar de forma mais cautelosa”, afirma.

Conforme Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, mesmo com a Fazenda negando qualquer reunião com Lara Resende ou discussões sobre tabelamento da Selic, o respaldo público de figuras próximas ao presidente à proposta já é suficiente para pressionar o câmbio e impactar a parte longa da curva. “A abertura do mercado confirmou isso. O Focus de hoje também revela uma deterioração nas projeções, com a Selic esperada para o final de 2027 subindo de 11,75% para 12,50%”, informa.

Na pesquisa Focus, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 aumentou de 5,19% para 5,22%; para 2027, passou de 4,34% para 4,76%; para 2028, subiu de 3,75% para 4%; e para 2029, saltou de 3,50% para 3,99%. A expectativa para a Selic em 2026 subiu de 13,25% para 13,50%; para 2027, de 11,75% para 12,50%; para 2028, de 10% para 11%; e para 2029, de 10% para 10,25%.

Houve também uma alteração nas previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com a expectativa para 2026 caindo de 1,80% para 1,76% e passando de 1,31% para 1,20% em 2027. Quanto à projeção para o dólar, esta aumentou de R$ 5,05 para R$ 5,34 em 2026 e de R$ 5,15 para R$ 5,40 em 2027.

Diante da proposta apresentada por André Lara Resende para um novo regime fiscal e monetário no país, com uma redução gradual da taxa básica de juros, a discussão interna no PT sobre os rumos do quarto mandato de Lula se reacendeu, especialmente após o jornal O Globo divulgar que o economista e Lula devem se encontrar nesta semana.

Em nota, o presidente do PT nacional, Edinho Silva, criticou o que chamou de “especulações na área econômica” e reafirmou que somente o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pode se pronunciar oficialmente sobre questões econômicas do governo.

Ainda no campo fiscal, nesta manhã, Durigan informou que terá uma reunião com o presidente Lula para discutir a medida provisória do Imposto Seletivo, que poderá ser enviada ao Congresso ainda hoje.

Na última sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,75%, registrando 167.921,80 pontos. No acumulado de outubro, a queda foi de 9,88%, a maior mensal desde junho de 2022, resultando em uma perda de 18,12% na semana.

Conforme Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, há espaço para uma recuperação, mas a inação do governo aumenta a incerteza sobre um possível ajuste fiscal. Ele acrescenta que a proposta monetária e fiscal sugerida por Lara Resende, com apoio de parte do governo, pode causar ajustes nos ativos ao longo do tempo.

Às 11h52, o Ibovespa continuava em declínio de 1,90%, marcando 164.728,28 pontos, após registrar uma mínima de 164.446,53 pontos (-2,07%) e abrir em 167.917,30 pontos (-0,01%), atingindo uma máxima de 168.005,46 (+0,05%).

Nos Estados Unidos, investidores permanecem atentos às eleições de meio de mandato e monitoram o andamento das negociações para terminar o conflito no Oriente Médio.