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Fuvest anula questão após erro em coordenada geográfica de Porto de Galinhas

Anulação garante pontuação para todos os candidatos.

Ítalo Lo Re 02/11/2026
Fuvest anula questão após erro em coordenada geográfica de Porto de Galinhas

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) divulgou na manhã desta segunda-feira, 2, a anulação de uma questão de Matemática da primeira fase do vestibular 2027 devido a um erro nas coordenadas geográficas de Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco. Com isso, todos os estudantes que prestaram a prova serão pontuados.

Principal exame de ingresso para a Universidade de São Paulo (USP), a prova foi aplicada na tarde do domingo, 1º de novembro, em 88 locais, abordando temas que variaram do cantor porto-riquenho Bad Bunny ao seriado Stranger Things. Cerca de 106 mil pessoas se inscreveram para esta fase do exame, que registrou a menor taxa de abstenção da história, com 6,4%.

A questão anulada é a 23 da prova V1 (correspondente à 3 na prova V2, 66 na V3 e 45 na V4). Ao questionar a distância que um navio percorre ao partir de Porto de Galinhas até Luanda, em Angola, o enunciado continha um erro na longitude da localidade pernambucana, indicando que fica a 35º leste, quando deveria ser oeste.

Logo no domingo, alguns professores começaram a questionar a imprecisão na questão. "Leste está correto para a cidade em Angola, mas no caso da localidade em Pernambuco é oeste", disse Vera Lúcia Antunes, coordenadora pedagógica do Objetivo.

No gabarito oficial, divulgado à noite, a resposta indicada para a questão foi a A. Alguns educadores ainda tinham dúvidas sobre a validade, considerando que o erro estava apenas no enunciado e que haveria resposta correta para aqueles que seguissem as coordenadas apresentadas. Agora, a nota da Fuvest confirma a anulação.

De acordo com a entidade, do ponto de vista estritamente matemático, a questão possui uma resposta correta. "Sem a representação em mapa e sem a designação das cidades, que poderiam ter sido chamadas de X e Y, a questão teria cumprido integralmente seu propósito", explica.

A Fuvest assinala que, à medida que exige o manuseio interdisciplinar dos temas, o "erro constante do enunciado não comporta escusas". "A circunstância de a questão apresentar um erro de coordenada geográfica é causa suficiente para sua anulação", acrescenta.

Na nota divulgada nesta segunda, a entidade compromete-se a submeter as questões interdisciplinares de matemática a uma revisão criteriosa de especialistas de todas as áreas envolvidas na formulação, como já acontece nas outras grandes áreas.

A principal novidade deste ano foi a redução no número de questões de múltipla escolha: em vez das tradicionais 90, agora são 80 questões. O tempo de prova permanece em 5 horas.

Segundo a Fuvest, o novo formato acompanha a ampliação da interdisciplinaridade do conteúdo, priorizando questões que exigem do candidato a capacidade de relacionar conhecimentos de diferentes áreas. O objetivo da 1ª fase é identificar características como a competência para leitura e compreensão de textos diversificados, bem como conhecimentos básicos nas áreas de ciências humanas, biológicas, exatas e em língua estrangeira.

Menor abstenção da história

A Fuvest registrou, ao todo, 106,1 mil inscritos para a 1ª fase, incluindo 12,3 mil que estão participando de treinamento. Ao todo, há 8.147 vagas, sendo 4.888 para ampla concorrência, 2.053 para egressos de escolas públicas e 1.206 para egressos de escolas públicas autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.

O diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Monaco, afirmou, em coletiva de imprensa realizada no fim da tarde de domingo, que, apesar da queda de 5% no número de inscritos em relação à última edição, a taxa de comparecimento foi a maior desde o início da aplicação da prova, há 50 anos.

"Nós tivemos a menor abstenção da história da primeira fase, de 6,4%", declarou.

Fortaleza, estreante na Fuvest, teve a maior abstenção, com 9%, enquanto na capital paulista o índice foi de 7,2%. "De modo geral, a prova transcorreu bastante tranquila", acrescentou Monaco.

Entre os problemas relatados, ocorreu o caso de um grupo de estudantes que não conseguiu realizar o exame após chegar pouco depois das 13h, horário de fechamento dos portões, em um local de prova em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, devido a atrasos nos trens da CPTM na região.

Monaco lamentou a situação, mas afirmou que não há previsão de reaplicação da prova para os candidatos afetados. "O protocolo é bastante rigoroso nesses casos: não reabrimos os portões em hipótese alguma e não há reaplicação de provas", enfatizou durante a coletiva.