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Ibovespa registra quinta queda consecutiva com temores fiscais e externos, caminhando para recuo histórico semanal

Maior queda semanal desde março de 2020 é prevista se a tendência se confirmar.

Maria Regina Silva 30/10/2026
Ibovespa registra quinta queda consecutiva com temores fiscais e externos, caminhando para recuo histórico semanal
Ibovespa - Foto: Depositphotos

O Ibovespa apresenta queda desde o início do dia, seguindo a desvalorização das bolsas ocidentais durante a manhã e a retração de 1,18% no preço do minério de ferro em Dalian. Até o fechamento de ontem, o índice acumulava uma queda de 17,5% na semana e, caso essa tendência persista até o fim do pregão, poderá marcar o maior decrescimento semanal da sua história, superando os 15,6% de queda registrados na semana que se encerrou em 13 de março de 2020, durante a pandemia de covid-19.

“Podemos ter a pior semana da história”, afirma Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos. Ele ressalta que, além do cenário incerto no exterior, as preocupações fiscais para o próximo ano, no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contribuem para a instabilidade. “Não houve nenhuma declaração do governo para acalmar o mercado, indicando que fará algum ajuste”, complementa Mendes.

Analistas apontam que, além da ausência de um plano fiscal crível, também não há sinalização sobre a composição da equipe econômica que assumirá em 2027. Os resultados trimestrais de empresas como Vale, Usiminas e Klabin seguem em destaque.

Os investidores ainda estão atentos ao G20, que acontece hoje e amanhã. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Atlanta, EUA, participando da reunião de chanceleres do bloco. Este compromisso marca o primeiro encontro entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde as eleições no Brasil.

A queda no exterior é acompanhada pela temporada de balanços corporativos. O relatório da Amazon apresentou lucros e receitas abaixo das expectativas, somado à alta do petróleo que aumenta os temores inflacionários e reforça a perspectiva de juros globais elevados. Segundo Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, os resultados insatisfatórios da Amazon e Intel reforçam os receios sobre o impacto dos significativos investimentos em inteligência artificial no caixa das empresas.

“O cenário externo está complicado, e isso afeta o Brasil. Sem uma perspectiva de mudança fiscal, é provável que vejamos juros ainda mais altos. O comportamento do câmbio será crucial para que o governo tome alguma atitude em direção ao mercado, buscando alinhar uma perspectiva fiscal”, comenta Mendes, da Manchester.

Conforme destaca Campos Neto, sócio da Tendências, a sensação é de que não há um plano de ajuste fiscal sendo discutido, mas sim a expectativa de medidas pontuais visando o cumprimento das metas fiscais. “Nos últimos dias, importantes figuras do governo manifestaram publicamente posições contrárias a qualquer ajuste.”

Nos resultados, a Usiminas reportou um lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo um prejuízo de R$ 3,5 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Neste momento, suas ações apresentavam uma queda de 3,47% às 11h40. Por outro lado, o lucro líquido da Vale caiu 53% no mesmo período, conforme esperado, com os papéis da empresa subindo 4,73%.

A Petrobras ainda se destaca com a confirmação da terceira descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial, e negou que haja decisões sobre reajustes nos preços da gasolina e do diesel. Suas ações apresentavam alta de 1,67% (PN) e 1,71% (ON).

Ontem, o Ibovespa teve um fechamento de 1,06% a menos, encerrando o dia em 169.186,42 pontos. Com isso, foram quatro sessões consecutivas de baixa.

Às 11h42, o índice caía 0,42%, aos 168.480,95 pontos. Na mínima do dia, o índice recuou 1,29%, atingindo 167.007,57 pontos — quase 2.200 pontos abaixo da abertura, que foi de 169.184,60. Em Nova York, as bolsas apresentavam queda de até 2,12% (Nasdaq). Nestes mercados, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos EUA, reduzia a queda de cerca de 2% para 0,97%.