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Ibovespa cai com ações de 1ª linha e incertezas fiscais, mesmo após tombar ontem

Índice recua na manhã desta terça-feira, refletindo preocupações com o cenário econômico

Maria Regina Silva 27/10/2026
Ibovespa cai com ações de 1ª linha e incertezas fiscais, mesmo após tombar ontem
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Mesmo após o estresse do pós-eleição, o Ibovespa opera em queda na manhã desta terça-feira, 27. Na segunda-feira, o índice fechou no menor nível desde 31 de agosto de 2026. Analistas atribuem o movimento a uma recomposição após ganhos recentes, já que parte significativa do mercado esperava que o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a eleição, não que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse reeleito.

O recuo de hoje reflete, em parte, as incertezas fiscais e a ausência de sinais do governo sobre quem comandará a equipe econômica a partir de 2027. Mais cedo, o índice até subiu cerca de 1%, mas não conseguiu se sustentar.

Diante do temor de descontrole de gastos, o mercado passou a enxergar menos espaço para cortes na Selic. Por isso, investidores acompanham com atenção a entrevista do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta manhã, sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado hoje. "Para ver se haverá pistas da política monetária. É a primeira coletiva de imprensa dele após a reeleição do Lula", afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos. "Temos que ver quem será o ministro da Fazenda", completa.

Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que planeja promover ainda neste ano mudanças na legislação ou, se necessário, na Constituição, para permitir que o governo busque formalmente o centro da meta fiscal.

As declarações a favor de medidas de ajuste feitas pelo ministro Durigan ajudam a atenuar o mau humor, mas a ausência de indicações concretas sobre os pontos a serem atacados limita qualquer melhora, afirma Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.

O que ocorreu ontem nos mercados, segundo João Oliveira, Head da Mesa de Operações do Banco Moneycorp, foi uma expectativa de que a direita venceria a disputa presidencial, diante de sinais de melhorias na parte fiscal.

"A primeira leitura da reeleição é que o fiscal talvez não tenha a atenção devida, mas o mercado vai se ajustando aos poucos. Tudo o que espera agora é que o governo indique um nome forte para comandar a economia", diz.

Segundo Oliveira, essa seria a primeira ação a ser tomada. "O mercado espera que isso não demore muito".

O balanço da Gerdau, divulgado ontem, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 1,523 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 39,7% em relação ao mesmo período de 2025, mas ficou abaixo do esperado pelos analistas. A ação cedia 1,26%.

Divulgado hoje, o relatório do Banco Central referente ao primeiro semestre revelou que o Crédito do Trabalhador ampliou o alcance do consignado privado, elevando seu potencial de acesso ao reduzir restrições operacionais do modelo anterior. Segundo o BC, apesar da elevada incerteza, não há risco relevante para a estabilidade financeira.

Ontem, o Ibovespa fechou com queda de 13,88%, a 176.608,23 pontos, com forte giro de R$ 88,6 bilhões, bem acima da média diária de cerca de R$ 25 bilhões.

Às 11h38, o Índice Bovespa caía 0,81%, a 175.223,44 pontos, com mínima a 175.170,08 pontos e máxima a 178.526,08 pontos. Ações de primeira linha, como Vale (-1,55%), Petrobras (-1,35%/PN e -0,90%/ON) e bancos, apresentavam queda.

Em Dalian, o minério de ferro caiu 0,9%. Já o petróleo recuava quase 1,60% em Londres e nos EUA.