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Sistema financeiro nacional é resiliente apesar de riscos, diz BC

Análise do Banco Central aponta adaptações regulatórias e queda na rentabilidade.

Marianna Gualter e Mateus Maia 27/10/2026
Sistema financeiro nacional é resiliente apesar de riscos, diz BC
Banco Central

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) se mantém resiliente, mesmo diante da maior materialização de riscos, enquanto avança na implementação de adaptações regulatórias que fortalecem o sistema, afirma a análise apresentada no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central, referente ao 1º semestre de 2026. O documento ressalta que as provisões constituídas mantiveram-se compatíveis com as estimativas de perdas esperadas.

O texto detalha que as instituições financeiras aumentaram as provisões para suportar um maior volume de perdas, mantendo o nível de cobertura no SFN estável.

Individualmente, algumas instituições financeiras possuem provisão inferior à estimativa do BC, mas o nível de capitalização é considerado suficiente para absorver eventuais ajustes na maioria dos casos.

Embora o SFN continue rentável e resiliente, a rentabilidade apresentou recuo no primeiro semestre de 2026, conforme a análise do REF. Segundo o documento, a queda na rentabilidade foi mais intensa entre instituições de controle público, devido à elevada materialização de risco associada ao crédito rural e ao crédito pessoal.

"A margem de crédito foi pressionada pelo aumento das despesas com provisões para perdas. Os resultados devem continuar contidos nos próximos períodos, em decorrência do risco elevado de crédito e da desaceleração no crescimento da carteira", acrescenta o documento.

Ainda conforme o relatório, a capitalização do SFN permanece robusta para assegurar a intermediação financeira. O texto destaca que a discreta queda da capitalização em janeiro foi decorrente de alterações normativas, mas foi revertida nos meses subsequentes com a retenção de lucros.

O REF também aponta que o SFN está sendo impactado em 2026 por duas alterações importantes: a primeira diz respeito à nova dinâmica de realização dos ativos fiscais diferidos (AFDs), e a segunda refere-se à nova metodologia para apurar o capital mínimo.

"Apesar da robustez agregada e do regime gradual de transição, uma parcela relevante das instituições, com baixa representatividade em termos de ativos, pode necessitar de reforço de capital ou de outros ajustes para atingir os níveis mínimos nos prazos previstos", pondera o relatório.