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São os EUA que deveriam estar preocupados com o Brasil, diz Lula

Presidente acredita em acordo comercial entre os países.

Sputnik Brasil 15/10/2026
São os EUA que deveriam estar preocupados com o Brasil, diz Lula
Lula afirma que Brasil poderá fechar acordo comercial vantajoso com os EUA. - Foto: © telegram SputnikBrasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que acredita que o Brasil chegará a um acordo comercial com os Estados Unidos. Em sabatina à TV Globo, no Rio de Janeiro, ele informou que representantes dos dois países seguem negociando, apesar de divergências recentes entre os governos.

"Embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós crescemos 20% com a China, crescemos 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha e 13% com o Vietnã", declarou.

Candidato à reeleição, Lula também destacou o aumento médio de 10,5% no comércio com 50 países visitados e que o Brasil voltou a registrar recorde de superávit comercial.

O presidente declarou que um acordo favorável ao Brasil deve ser alcançado. Do contrário, a lei de reciprocidade poderá ser aplicada e quem tem mais a perder nesse processo são os EUA.

"Quem deve estar preocupado conosco hoje são os Estados Unidos. Não quero fazer a lei da reciprocidade, quero continuar negociando, mas se for necessário fazer, faremos, porque eles têm mais coisas que precisam de nós do que coisas que precisamos deles."

Lula defendeu que a relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante seu governo foi civilizada, apesar das tensões.

"Disse ao Trump que dois homens de 80 anos tivessem juízo e se entendessem, pois não era possível que duas das maiores democracias do Ocidente estivessem em desavença. Ele concordou comigo", contou Lula.

Desde então, foram três reuniões, e a última durou quase uma hora e meia por telefone, acrescentou o mandatário brasileiro.

Governabilidade não será inviabilizada mesmo com minoria no Congresso

O fato de partidos que formam a base histórica de apoio à esquerda não ocuparem cadeiras suficientes para formar maioria no Congresso a partir de 2027 não vai impedir a governabilidade de um novo mandato, afirmou Lula na entrevista.

"Fui eleito com 70 deputados do meu partido de 513 e tendo nove senadores de 81. Aprovamos 99% de tudo que a gente fez, até uma reforma tributária que havia quarenta anos que queríamos aprovar."

Com exceção do PL, todos os partidos participaram do atual governo, afirmou. "Por isso conseguimos aprovar tudo e se não for assim não é possível governar o país."

Os fracassos do governo são de sua total responsabilidade, admitiu ele. "Se quando as coisas dão certo sou eu que ganho, quando dão errado também", disse na entrevista.

Entretanto, Lula garantiu que seu governo "fez milagre" e, nos últimos dois anos e meio, perdeu tempo recuperando o desmonte do governo anterior, de Jair Bolsonaro. "Foram dez ministérios desmontados [...] não tinha dinheiro para nada, o orçamento não deixou dinheiro para o Bolsa Família, para a educação, para a saúde", argumentou.

"Lamento não ter tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que fiz, que foram muitas. Mas sempre temos que fazer mais."

Segurança Pública

A narrativa dos EUA de que as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho são terroristas de Estado é equivocada, afirmou Lula, pois aqui a atuação busca apenas o lucro. O presidente defendeu que combater o crime organizado no Brasil exige inteligência para asfixiar os negócios ilegais do narcotráfico e de outros crimes.

Ele citou como exemplo de esforço a PEC Antifacção, pendente de votação no Senado, que, entre outras alterações, aumenta penas.

"A Constituição nunca permitiu que a União se intrometesse na segurança pública na questão do estado, e agora quero me meter [...] Para o trabalhador, para a comunidade, para o território, o que nós queremos é tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos, prisão. Nós queremos asfixiar o crime organizado e libertar os territórios dos bandidos neste país. Por isso que mandei a PEC [para o Congresso]."

Lula disse ainda que é a favor da redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos:

"Sou favorável à punição de qualquer crime hediondo", comentou, mas argumentou que essa discussão não cabe na atual PEC e deve ser feita após a aprovação.

STF e Banco Master

O escândalo envolvendo ilegalidades do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do Banco Master trouxe um debate que acarretará mudanças irreversíveis, na opinião de Lula.

Ele comentou os mais recentes eventos, com festas e garotas de programa, envolvendo ministros, como Kassio Nunes Marques:

"Não é possível que apareça na Suprema Corte tantas denúncias de orgia, de mulher, de dinheiro [...] É importante a gente tirar proveito desse escândalo para a gente moralizar este país", disse ele. "Aproveitar esse acontecimento e criar um comportamento ético mais adequado", declarou.

Diretor-geral da PF não convenceu

Ao ser perguntado sobre a ida do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, a uma festa promovida em Londres por Vorcaro, ele afirmou que a justificativa apresentada pelo delegado não foi convincente:

"Ele é o diretor que escolhi e está fazendo um extraordinário trabalho. E quando eu fiquei sabendo que ele tinha ido a Londres, eu chamei a atenção dele de que o papel de diretor da Polícia Federal não permite que ele tivesse ido a Londres. Ele me deu uma explicação, não foi convincente para mim, ele não precisava ter ido. Aliás, ninguém precisava ter ido naquela festa. Ele sabe que eu o repreendi, alertei o ministro da Justiça. Agora, ele é um extraordinário delegado. Tem feito um trabalho excepcional", declarou na sabatina.

Prisão de Márcio Canella e relação com Flávio Bolsonaro

A prisão preventiva de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, foi mencionada por Lula, que destacou sua ligação com o adversário e senador Flávio Bolsonaro (PL), aliado histórico e peça fundamental para a mobilização de votos na Baixada Fluminense.

Canella foi detido pela Polícia Federal na 8ª fase da Operação Unha e Carne, expedida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Lula lembrou que, no início de 2026, Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, foi oficialmente anunciada como a primeira suplente na chapa de Canella, que pretendia concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro com o apoio integral da família Bolsonaro.

O candidato Flávio Bolsonaro será entrevistado na TV Globo na sexta-feira (16).


Por Sputnik Brasil