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Christa Pike: emergência demorou a prestar socorro após falha na execução

Confusão entre equipes gerou atraso no atendimento

Estadao Conteudo 13/10/2026
Christa Pike: emergência demorou a prestar socorro após falha na execução
Christa Pike - Foto: ANSA

O atendimento de emergência a Christa Pike demorou devido à confusão entre as equipes de socorro e as autoridades penitenciárias do Tennessee após uma tentativa fracassada de executá-la no mês passado, segundo gravações de chamadas para o serviço de emergência.

As gravações, obtidas na segunda-feira, 12, pela Associated Press por meio de um pedido de acesso a registros públicos, mostram que minutos preciosos se passaram enquanto autoridades e equipes de atendimento tentavam confirmar se o pedido de socorro na câmara de execução era legítimo.

A primeira ligação para o serviço de emergência foi feita às 20h40 de 30 de setembro, pouco mais de uma hora após o início da tentativa de execução por injeção letal. Quem ligou, porém, não conseguiu fornecer um código usado para verificar a autenticidade do pedido.

"Segundo os supervisores aqui do Departamento de Comunicações de Emergência (DEC), fomos informados de que se trata de uma ligação falsa", disse um atendente às 21h03. "Não há necessidade de assistência médica na Prisão de Riverbend."

Apenas cerca de meia hora após a primeira ligação, por volta das 21h11, as autoridades penitenciárias confirmaram que o pedido era real e autorizaram a entrada das equipes de socorro.

Procurados pela AP, o Departamento de Correção do Tennessee e a equipe jurídica de Christa não responderam ao pedido de comentário.

Christa se tornou paciente

Christa foi hospitalizada após sobreviver a duas doses de uma substância letal, administradas durante a tentativa de execução pela morte a facadas de sua colega de escola Colleen Slemmer, em 1995. A mulher tinha 18 anos quando torturou e matou Colleen com a ajuda do namorado. Ela está entre as mulheres mais jovens a receber uma sentença de morte.

O protocolo estadual prevê uma segunda dose da substância caso a primeira não provoque a morte, mas não especifica como proceder se a detenta sobreviver também à segunda injeção.

A primeira ligação para o serviço de emergência, divulgada apenas em forma de transcrição, informava que Christa estava inconsciente e não respirava normalmente.

Christa permaneceu ligada a um respirador por vários dias após ser levada ao hospital. Em determinado momento, seus advogados chegaram a não acreditar que ela sobreviveria. Ela recuperou a consciência na última terça-feira e começou a falar um pouco e a caminhar com ajuda, segundo eles. No sábado, seus advogados informaram que ela havia recebido alta e retornado à prisão feminina onde estava detida havia 30 anos.

Confusão em ligações

A ligação inicial foi feita por uma pessoa cujo nome e cargo foram ocultados. Ela informou que estava na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend, onde uma tentativa de execução havia sido realizada, mas a detenta continuava viva.

Enquanto tentavam verificar a veracidade do pedido de socorro, as equipes de emergência mantinham contato com representantes da Central de Controle da prisão. Eles disseram que "deveriam ter sido eles a fazer a ligação", mas que "não fizeram aquela ligação", segundo uma gravação registrada às 21h07.

Por volta desse horário, um socorrista foi ouvido pelo rádio relatando a presença de pessoas do lado de fora do portão da prisão. "Há alguém do lado de fora do portão da prisão nos dizendo que é verdade e exigindo que entremos. Dizem que são algum tipo de autoridade estadual. Preciso que alguém vá até o portão e converse com essas pessoas."

A Central de Controle confirmou que a ligação era legítima alguns minutos depois e autorizou a entrada das equipes por volta das 21h11. Um repórter da AP viu uma ambulância e caminhões de bombeiros chegarem a um prédio dentro do complexo penitenciário às 21h14.

Às 21h34, enquanto os paramédicos transportavam Christa para um hospital, um deles pediu à central de atendimento que confirmasse se a prisão sabia para onde ela estava sendo levada.

"É só porque houve tanta confusão, quero ter certeza de que eles estão cientes disso", disse o socorrista.

Outras duas ligações foram feitas

O DEC divulgou as gravações das chamadas recebidas pelos atendentes, com alguns trechos ocultados. A polícia informou que o áudio da primeira ligação para o serviço de emergência não poderia ser divulgado publicamente, segundo a legislação estadual.

Outras duas ligações de emergência foram feitas em seguida. Uma delas, às 21h08, foi realizada por Kelly Gleason, uma das advogadas de Christa.

"Minha cliente, Christa Gail Pike, está sendo submetida a uma execução pelo Estado. Ela passou por todas as etapas do protocolo e, pela última informação que recebemos do advogado que está presente, continua viva e respirando e precisa de atendimento imediato para salvar sua vida", disse Kelly na chamada.

Novas execuções suspensas durante análise do caso

O Departamento de Correção do Tennessee não informou o que deu errado na tentativa de execução. O governador Bill Lee suspendeu novas execuções enquanto o caso é analisado. Não está claro se o Estado tentará executar Christa novamente.

Especialistas médicos levantaram hipóteses para explicar a sobrevivência de Christa, incluindo possíveis problemas na qualidade dos medicamentos e no posicionamento das linhas intravenosas, que poderiam ter levado ao acúmulo da substância nos tecidos.

Antes da tentativa de execução, os advogados de Christa informaram aos tribunais e às autoridades penitenciárias que ela tinha uma doença sanguínea que poderia provocar a formação de coágulos nos locais em que as agulhas fossem inseridas.

*Com informações da Associated Press (AP).