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Sistema com 2 sóis pode abrigar mundos habitáveis por bilhões de anos, indica estudo
Pesquisadores destacam a potencialidade do sistema binário 70 Ophiuchi na busca por vida.
Um sistema estelar com dois sóis pode abrigar planetas semelhantes à Terra por bilhões de anos, segundo um novo estudo. A pesquisa sobre o sistema também descartou a existência de gigantes gasosos no local e apontou a região como uma das mais promissoras para a busca de mundos habitáveis.
Uma nova pesquisa reforça a possibilidade de existirem planetas habitáveis em sistemas com duas estrelas, um cenário frequentemente associado à ficção científica. O estudo indica que mundos semelhantes à Terra podem sobreviver por longos períodos em sistemas binários, mesmo sob a influência gravitacional de uma segunda estrela.
Os pesquisadores concentraram a análise no sistema binário 70 Ophiuchi (70 Oph AB), localizado a cerca de 16 anos-luz da Terra. Formado por duas anãs laranja do tipo K (de temperatura mais baixa e menor massa que nosso Sol), o sistema é considerado promissor para a busca por vida devido à estabilidade dessas estrelas e à sua longevidade, que pode chegar a dezenas de bilhões de anos.

Segundo os autores, o interesse pelo sistema também decorre de sua proximidade cósmica e do fato de estrelas do tipo K oferecerem condições potencialmente mais favoráveis à habitabilidade do que as anãs vermelhas. Além disso, a maioria das estrelas da Via Láctea possui ao menos uma companheira estelar.
Para investigar a presença de planetas, a equipe reuniu dados de velocidade radial coletados ao longo de aproximadamente um século. O método detecta pequenas oscilações provocadas pela gravidade de corpos orbitando uma estrela e já permitiu a descoberta de mais de 1.200 exoplanetas.

Os cientistas combinaram essas observações com simulações computacionais, inserindo sinais de planetas hipotéticos e testando milhares de órbitas possíveis para mundos com massa semelhante à da Terra, acompanhando cada cenário por até dez milhões de anos para avaliar sua estabilidade.
Os resultados mostraram que planetas rochosos podem manter órbitas estáveis dentro da zona habitável da estrela principal, o que sugere que a presença da segunda estrela não impede necessariamente a existência de ambientes capazes de sustentar condições favoráveis à vida.
Ao mesmo tempo, o estudo descartou a presença de gigantes gasosos com massa igual ou superior à de Júpiter em uma ampla região do sistema. A conclusão enfraquece uma hipótese levantada em 1855 pelo astrônomo William Jacob, que havia sugerido a existência de um planeta em 70 Ophiuchi.
Os autores acreditam que o sinal que sustentava essa antiga suspeita era resultado da atividade das próprias estrelas. Apesar disso, planetas terrestres continuam abaixo do limite atual de detecção, o que mantém o sistema como um dos candidatos mais promissores para futuras buscas por mundos semelhantes à Terra em sistemas binários.
Por Sputnik Brasil
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