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Sistema com 2 sóis pode abrigar mundos habitáveis por bilhões de anos, indica estudo

Pesquisadores destacam a potencialidade do sistema binário 70 Ophiuchi na busca por vida.

Sputnik Brasil 12/10/2026
Sistema com 2 sóis pode abrigar mundos habitáveis por bilhões de anos, indica estudo
Sistema binário 70 Ophiuchi, potencial para abrigar planetas semelhantes à Terra. - Foto: © Foto / NASA, ESA, CSA, STScI, Robert Hurt (Caltech/IPAC)

Um sistema estelar com dois sóis pode abrigar planetas semelhantes à Terra por bilhões de anos, segundo um novo estudo. A pesquisa sobre o sistema também descartou a existência de gigantes gasosos no local e apontou a região como uma das mais promissoras para a busca de mundos habitáveis.

Uma nova pesquisa reforça a possibilidade de existirem planetas habitáveis em sistemas com duas estrelas, um cenário frequentemente associado à ficção científica. O estudo indica que mundos semelhantes à Terra podem sobreviver por longos períodos em sistemas binários, mesmo sob a influência gravitacional de uma segunda estrela.

Os pesquisadores concentraram a análise no sistema binário 70 Ophiuchi (70 Oph AB), localizado a cerca de 16 anos-luz da Terra. Formado por duas anãs laranja do tipo K (de temperatura mais baixa e menor massa que nosso Sol), o sistema é considerado promissor para a busca por vida devido à estabilidade dessas estrelas e à sua longevidade, que pode chegar a dezenas de bilhões de anos.

O sistema estelar binário 70 Ophiuchi AB
O sistema estelar binário 70 Ophiuchi AB pode ser visto em imagem captada pelo Observatório Naval dos EUA em 1937.

Segundo os autores, o interesse pelo sistema também decorre de sua proximidade cósmica e do fato de estrelas do tipo K oferecerem condições potencialmente mais favoráveis à habitabilidade do que as anãs vermelhas. Além disso, a maioria das estrelas da Via Láctea possui ao menos uma companheira estelar.

Para investigar a presença de planetas, a equipe reuniu dados de velocidade radial coletados ao longo de aproximadamente um século. O método detecta pequenas oscilações provocadas pela gravidade de corpos orbitando uma estrela e já permitiu a descoberta de mais de 1.200 exoplanetas.

Esquema de um sistema estelar binário
Esquema (fora de escala) de um sistema estelar binário com dois planetas em diferentes órbitas.

Os cientistas combinaram essas observações com simulações computacionais, inserindo sinais de planetas hipotéticos e testando milhares de órbitas possíveis para mundos com massa semelhante à da Terra, acompanhando cada cenário por até dez milhões de anos para avaliar sua estabilidade.

Os resultados mostraram que planetas rochosos podem manter órbitas estáveis dentro da zona habitável da estrela principal, o que sugere que a presença da segunda estrela não impede necessariamente a existência de ambientes capazes de sustentar condições favoráveis à vida.

Ao mesmo tempo, o estudo descartou a presença de gigantes gasosos com massa igual ou superior à de Júpiter em uma ampla região do sistema. A conclusão enfraquece uma hipótese levantada em 1855 pelo astrônomo William Jacob, que havia sugerido a existência de um planeta em 70 Ophiuchi.

Os autores acreditam que o sinal que sustentava essa antiga suspeita era resultado da atividade das próprias estrelas. Apesar disso, planetas terrestres continuam abaixo do limite atual de detecção, o que mantém o sistema como um dos candidatos mais promissores para futuras buscas por mundos semelhantes à Terra em sistemas binários.


Por Sputnik Brasil