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Augusto Cury antecipa apoio a Flávio Bolsonaro

Decisão foi influenciada por temor de associação ao PT

Sputnik Brasil 09/10/2026
Augusto Cury antecipa apoio a Flávio Bolsonaro
Augusto Cury anunciou apoio a Flávio Bolsonaro visando evitar associações ao PT. - Foto: © AP Photo / Bruna Prado

Augusto Cury antecipou seu apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, temendo que sua demora em se pronunciar pudesse gerar associações ao PT. O ex-presidenciável, pressionado por diretórios do Avante alinhados a Lula, abandonou a neutralidade e condicionou sua adesão à assinatura de uma carta com compromissos de governo.

O receio de ser associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) levou o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) a antecipar o anúncio de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial. A manifestação estava prevista para ocorrer apenas após seu retorno da Europa, mas foi acelerada em razão de contatos da campanha bolsonarista e das movimentações de diretórios estaduais do Avante favoráveis à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo aliados consultados pela mídia brasileira, o entorno de Cury avaliava que a ausência de um posicionamento público poderia alimentar especulações sobre uma possível aproximação com Lula, gerando desgaste político e de imagem, especialmente após lideranças da legenda em diferentes estados declararem apoio ao petista.

No Piauí, o presidente estadual do Avante, Gustavo Henrique, anunciou apoio à reeleição de Lula. Na Bahia, Ronaldo Carletto, dirigente da sigla no estado, também reafirmou seu alinhamento ao presidente, reforçando a percepção de que o partido se inclinava majoritariamente para o lado governista.

A preocupação de Cury foi ampliada por informações falsas disseminadas durante a campanha, que afirmavam que ele havia apoiado Lula em 2022. Embora o Avante tenha integrado a coligação de Lula naquele pleito, Cury só se filiou ao partido em 2026, não tendo participado da aliança.

Terceiro colocado no primeiro turno, conquistando 3,45 milhões de votos (2,89%), Cury havia mantido uma posição de neutralidade durante a campanha. Apesar de ter alcançado até 11% das intenções de voto em pesquisas, afirmava que não apoiaria "nem Lula nem Flávio" em um eventual segundo turno.

No entanto, o ex-presidenciável tornou-se alvo de disputas pelas duas campanhas. Flávio Bolsonaro estabeleceu contato direto com o escritor, enquanto Lula não chegou a conversar com ele, embora tivesse manifestado publicamente a intenção de buscar uma aliança para a etapa decisiva da disputa.

Segundo a mídia, o apoio a Flávio Bolsonaro veio após anúncios semelhantes dos ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Procurado pela campanha bolsonarista, Cury condicionou sua adesão à assinatura de um documento com oito compromissos.

O documento reúne propostas defendidas por Cury, como o fim da reeleição presidencial, a ampliação da educação em tempo integral, a valorização dos professores e a expansão do ensino técnico. Também prevê uma rede nacional de telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) com uso de inteligência artificial (IA), medidas de combate à violência contra as mulheres, incentivo ao microempreendedorismo, fortalecimento do cooperativismo e a meta de dobrar a produção de alimentos em dez anos.

Ainda segundo a apuração, a carta inclui o compromisso de governar sem perseguições políticas e ressalta que o apoio não envolve cargos ou benefícios, preservando a independência de Cury para cobrar e criticar um eventual governo Flávio Bolsonaro.