Geral

Tereza Cristina sobre reunião com Alcolumbre para adiar PEC 6x1: Não decidimos nada

Senadora critica urgência na votação da proposta e pede discussão mais aprofundada.

Estadao Conteudo 07/10/2026
Tereza Cristina sobre reunião com Alcolumbre para adiar PEC 6x1: Não decidimos nada
Tereza Cristina - Foto: Reprodução /Agência Senado

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que a reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), terminou sem uma decisão sobre a reivindicação da oposição para adiar a votação da proposta de fim da escala 6x1. As declarações ocorreram na noite desta quarta-feira, 7, após uma conversa no gabinete do presidente.

Mais cedo, o Broadcast Político revelou que Tereza foi designada pela oposição para negociar com Alcolumbre o adiamento da proposta. O fim da escala 6x1 é uma prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deseja a aprovação antes do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), de quem Tereza é aliada. Para senadores da oposição, a aprovação da PEC beneficiaria Lula na eleição.

A jornalistas, Tereza afirmou que a proposta “não pode ser votada de afogadilho para ser eleitoreira”. A senadora também negou estar preocupada com um eventual impacto eleitoral para Flávio. “Acho que pode prejudicar o Brasil. Não estou preocupada com eleição. Eu acho que esse assunto é um assunto do Brasil. É que hoje a gente gosta de simplificar os assuntos. Esse assunto mexe com a vida das pessoas, com a economia do País.”

A senadora defendeu uma discussão mais aprofundada sobre a PEC e disse que o indicativo de Alcolumbre foi o de seguir o regimento do Senado. “Nós discutimos várias coisas, inclusive o andamento da PEC, mas não decidimos nada ainda. Depois, ficamos conversando”, declarou. “Sobre a PEC, eu coloquei o meu ponto de vista, e ele ficou de pensar.”

A parlamentar afirmou que Alcolumbre indicou que “emendas vão ser feitas” e defendeu melhorias no texto. “Na minha opinião, a PEC precisa ser melhorada, em alguns pontos, para alguns setores. A jornada, eu acho que está praticamente pacificada. Agora, a escala é um problema, porque temos segmentos da economia muito diferentes, que atuam de maneira diversa, e que vão realmente ter prejuízos”, disse.

Questionada se votaria contra ou a favor da proposta como está, Tereza respondeu: “Não é que eu sou contra a matéria. Eu acho que o texto não está bom. Eu acho que o texto pode ser melhorado.” Caso haja alterações no texto, a PEC deverá retornar à Câmara para revisão dos deputados, o que pode dificultar o plano de Lula de aprovar a proposta antes da eleição de 25 de outubro.

Mais cedo, Alcolumbre afirmou que, se não houver um pedido formal de aceleração da proposta, ele seguirá todo o trâmite previsto no regimento, que inclui a realização de cinco sessões de discussão para a primeira votação e de mais três para a segunda votação. Em seguida, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), anunciou que está recolhendo assinaturas para apresentar um requerimento de calendário especial.

O campo governista atua para que a votação da PEC ocorra na próxima quarta-feira, 14 de outubro, em dois turnos. Entretanto, a data ainda está incerta. Questionado por jornalistas, Alcolumbre não garantiu o dia em que a matéria será apreciada.

Flávio Bolsonaro, que é senador, não compareceu às duas sessões de discussão sobre a PEC da escala 6x1. O candidato do PL à Presidência da República tem defendido uma proposta alternativa, que prevê um contrato por horas trabalhadas e permite a redução de salário caso o empregado trabalhe por menos horas.