Geral
Ibovespa atinge maior nível desde abril impulsionado por cenário externo e trade eleitoral
Investidores se posicionam antes das eleições, com alta acumulada no ano de 19%
No último pregão antes do primeiro turno das eleições, os investidores aproveitaram o otimismo com uma possível alternância de poder para se posicionarem no mercado de ações, levando o Ibovespa a superar a faixa dos 192 mil pontos (192.114,55 pontos), no maior nível desde 17 de abril, quando alcançou 192.888,96 pontos.
O ambiente mais propenso à tomada de risco no exterior, após dados do mercado de trabalho mais fracos nos EUA, também impulsionou os ativos de mercados emergentes, proporcionando suporte à disparada das grandes ações da bolsa. O giro financeiro no dia foi expressivo, totalizando R$ 31 bilhões, e o Ibovespa encerrou a semana com uma alta acumulada de 4,71%. No acumulado do ano, o avanço é de 19%.
Embora o movimento tenha sido impulsionado por forte volatilidade ao longo do dia, o sócio e especialista da Valor Investimentos, Daniel Teles, destaca que o Ibovespa chegou a subir cerca de 1,8% pela manhã, zerou os ganhos e entrou no campo negativo antes de voltar a avançar durante a tarde. "É um mercado totalmente reativo ao 'trade' eleitoral. O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições", afirma.
A alta expressiva do Ibovespa foi impulsionada pelos ganhos de todas as blue chips, com a Petrobras, inclusive, alcançando recorde em valor de mercado, acompanhada pelo Itaú Unibanco. A Vale e demais instituições financeiras também registraram forte valorização, e o otimismo se espalhou por praticamente todos os setores, incluindo consumo, materiais, imobiliário, utilities e industrial.
A expectativa dos investidores é de que uma eventual chegada de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência represente uma agenda mais fiscalista em relação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse cenário vem incentivando os investidores a posicionarem-se de maneira pró-ativa em ativos domésticos desde o início de setembro. "O mercado entende que, caso Flávio Bolsonaro ganhe, a bolsa tende a se valorizar", diz Teles.
No exterior, o principal suporte veio do payroll mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos. Uma menor geração de empregos indica potencialmente uma inflação mais amena. "Isso, consequentemente, reduz a pressão para novas altas de juros pelo Fed, o que é muito positivo", explica Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management.
A economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, observa que a leitura do pregão está diretamente ligada a esse fator externo. Segundo ela, juros menos pressionados nos Estados Unidos abrem espaço para a diversificação por parte de investidores estrangeiros em direção a outros mercados, enquanto a liquidez da bolsa brasileira se torna um atrativo, após um período de concentração de recursos no mercado americano e nas empresas de tecnologia. Em Nova York, o EEM, maior ETF ligado a países emergentes, subiu 1,29%, enquanto o EWZ, que é vinculado a ações brasileiras, avançou 2,83%.
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