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Morre Ronaldo de Carvalho, herdeiro da rede de farmácias Drogaria São Paulo

Empresário deixou um legado de crescimento e inovação no setor farmacêutico

Estadao Conteudo 02/10/2026
Morre Ronaldo de Carvalho, herdeiro da rede de farmácias Drogaria São Paulo
Morre Ronaldo de Carvalho, herdeiro da rede de farmácias Drogaria São Paulo - Foto: Reprodução

Ronaldo de Carvalho, herdeiro da rede de farmácias Drogaria São Paulo, morreu na quinta-feira, 1º, aos 82 anos. O empresário deixa um legado de expansão: em cinco décadas, conseguiu transformar um negócio familiar em uma potência do varejo brasileiro.

Formado em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Carvalho ingressou nos negócios da família em 1971. Ele tinha 27 anos, e a rede de farmácias contava apenas com 10 lojas. A partir desse momento, liderou uma trajetória bem-sucedida de crescimento e acumulou pioneirismos.

Foi o primeiro empresário do setor a implementar farmácias com funcionamento 24 horas por dia. Também criou programas de benefícios e descontos para aposentados. Em 2011, negociou a fusão com a Drogaria Pacheco, criando o Grupo DPSP, com 1,7 mil lojas espalhadas pelo País.

O Grupo DPSP se despede de uma das principais referências. "Reconhecido por sua inteligência excepcional, capacidade analítica e visão de longo prazo, Ronaldo deixa uma marca definitiva não apenas na história da Drogaria São Paulo e na DPSP, mas na história do empreendedorismo brasileiro. Seu legado seguirá vivo por meio das milhares de pessoas que ajudou a formar", disse a companhia, em publicação no LinkedIn.

A Associação Brasileira Redes Farmácias Drogaria (Abrafarma) também divulgou uma nota de pesar, em que destacou a visão, liderança e a capacidade de Carvalho de reunir as empresas do segmento. "Perdemos não apenas um de nossos fundadores, mas alguém que acreditou, desde o início, na força de um setor unido e ajudou a transformar essa visão em realidade", afirmou a instituição.

Em entrevista concedida à Abrafarma, em 2021, Carvalho contou os bastidores de diversos momentos históricos vividos por ele durante as várias décadas de experiência nos negócios. O empresário detalhou a criação da Abrafarma em 1991 como uma maneira de abrir um diálogo com o governo, que não "gostava de falar com empresas uma a uma".

Ele também relembrou leis antigas que impactavam o funcionamento das lojas, como as legislações de zoneamento e o esquema de "plantões", que limitavam os horários de expediente e criavam uma reserva de mercado para as poucas farmácias plantonistas autorizadas a funcionar aos finais de semana e no período da noite.

"No zoneamento de São Vicente só podia abrir uma nova farmácia a 800 metros de uma já existente. Eu colocava lá quando discutia com a Prefeitura de São Vicente: só se for para abrir na Serra do Mar ou no meio do (oceano), porque é um absurdo", apontou Carvalho, que classificou a fusão com a Drogaria Pacheco como um meio para acabar com o conflito entre as duas gigantes farmacêuticas.

"A Drogaria Pacheco é o maior nome de farmácia no Rio de Janeiro, a Drogaria São Paulo é o maior nome de farmácia em São Paulo. Por que ficar brigando? Vamos parar com essa briga e vamos nos juntar e montar aquela que será a maior rede de farmácias do Brasil", disse o executivo.