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Milei usa a causa das Malvinas de forma oportunista e beneficia os EUA, diz analista (VÍDEOS)

Especialista critica postura do presidente argentino em relação às ilhas.

Sputnik Brasil 02/10/2026
Milei usa a causa das Malvinas de forma oportunista e beneficia os EUA, diz analista (VÍDEOS)
Análise critica do uso político das Ilhas Malvinas por Javier Milei. - Foto: © AP Photo / Natacha Pisarenko

O presidente argentino, Javier Milei, que já expressou admiração por Margaret Thatcher, mudou de postura e agora ameaça impor sanções a petroleiras britânicas nas Malvinas. Esta ação se intensifica em função do projeto de petróleo Sea Lion, reabrigando o debate sobre se essa medida responde aos anseios do país ou se trata de uma manobra política do governante.

Para Astrid Cazalbón, analista argentina e pesquisadora do Grupo de Estudos sobre Segurança Energética (Gesene) da UFPB, Milei tem instrumentalizado de maneira oportunista a causa das Malvinas, um tema historicamente significativo para a população, como uma estratégia para mitigar sua impopularidade.

"[Milei] busca um tema para sair um pouco da realidade que os argentinos estão vivenciando, dos desafios como a pobreza, os indicadores macroeconômicos em queda, a falta de crescimento e de emprego, enfim, todas as questões sociais que afetam o país. E, claramente, Milei está usando [a causa das Ilhas Malvinas] de forma oportunista", afirmou.

A especialista também rememora as contradições no comportamento de Milei. Um exemplo recente ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, após a vitória argentina sobre a Inglaterra na semifinal. Na ocasião, os jogadores celebraram exibindo uma faixa que afirmava que as Malvinas são argentinas. Inicialmente, Milei desaprovou o ato, rotulando-o como "patriotismo barato" e defendendo a separação entre futebol e política.

"Na Copa do Mundo, a Argentina chegou à semifinal, enfrentou a Inglaterra e levantou essa bandeira. E Milei, naquele momento, disse que não estava a favor de uma manifestação política por parte dos jogadores, tentando diferenciar as duas coisas. No entanto, agora ele está voltando a usar as Malvinas para conquistar seu eleitorado", comentou.

Malvinas e o interesse de ocasião de atores externos

Embora os EUA e Israel estejam se aproximando de Milei, o apoio real sobre as Malvinas permanece incerto. As históricas alianças com Londres e o fato de uma petroleira israelense explorar o petróleo nas ilhas limitam qualquer ajuda prática, reduzindo as promessas a meras retóricas, conforme explica Astrid.

"Essa questão [do apoio dos] Estados Unidos e Israel é por conveniência, pois agora eles estão enfrentando desafios. Os EUA estão perdendo em guerras e perdendo terreno em outras áreas. Portanto, certamente, de alguma maneira, irão voltar sua atenção para outras regiões que possuem recursos relevantes [como a Argentina]", destacou.

A pesquisadora correlaciona o ultimato das Malvinas à abertura de Vaca Muerta ao capital norte-americano. Para compensar politicamente a entrega dos recursos energéticos do continente aos EUA, Milei adota uma retórica nacionalista contra o Reino Unido, a fim de limitar qualquer exploração pelas empresas britânicas nos projetos em Vaca Muerta.

"Temos vários recursos na região das Malvinas e também no sul da Argentina, na extensa região patagônica, que abriga Vaca Muerta. Essa questão poderia, de certa forma, ameaçar as empresas britânicas e, de outra maneira, favorecer a atuação das empresas dos Estados Unidos, que também já atuam na área de Vaca Muerta", observa.

Ameaças de Milei contra o Reino Unido são retóricas

Segundo a análise de Astrid, o Reino Unido evita polemizar sobre as Malvinas, reconhecidas como Falklands, para impedir que o tema ganhe destaque no cenário internacional. Nesse contexto, um governo como o de Milei, que não prioriza a soberania como política de Estado, acaba sendo conveniente aos interesses britânicos.

"O que o Reino Unido continua fazendo é defender a soberania. Porém, para eles, é benéfico um governo mais fraco nas instituições internacionais, então é conveniente para eles manter Milei. Acredito que para o Reino Unido não é interessante trazer esse tema à tona, pois isso poderia fazer com que a questão da soberania das ilhas fosse debatida novamente", conclui.

A história é frequentemente instrumentalizada por governantes para demarcar posições, seja para o público interno ou no tabuleiro geopolítico, e a disputa de narrativas pelas Ilhas Malvinas é um reflexo claro desse fenômeno. No cenário atual, essa dinâmica da política interna argentina se estende além das fronteiras, gerando repercussões extrarregionais.


Por Sputinik Brasil