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PF marca depoimentos de Galípolo, Campos Neto e André Esteves sobre o Banco Master

Investigação envolve cooptação de servidores do Banco Central

Estadao Conteudo 01/10/2026
PF marca depoimentos de Galípolo, Campos Neto e André Esteves sobre o Banco Master
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Polícia Federal agendou para a próxima semana os depoimentos do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual, André Esteves, a respeito de questões ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.

Os depoimentos farão parte de um inquérito que investiga suspeitas sobre a cooptação de dois servidores do Banco Central por Vorcaro. Conforme divulgado pelo Estadão, a decisão da PF de ouví-los como testemunhas ocorreu após suas menções no depoimento de um dos investigados, o ex-diretor Paulo Sérgio Souza.

A programação da PF prevê que cada um seja ouvido em um dia diferente da semana. No entanto, os advogados ainda podem solicitar adiamentos. O primeiro interrogatório está agendado para segunda-feira, com André Esteves. Na terça-feira, será a vez de Gabriel Galípolo, e na quarta-feira, está previsto o depoimento de Roberto Campos Neto.

Além disso, a PF deve colher também um terceiro depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, marcado para a próxima quinta-feira. A logística dos depoimentos ainda está em fase de organização.

No depoimento prestado anteriormente, o ex-diretor Paulo Sérgio mencionou reuniões que teve com Galípolo, Campos Neto e Esteves para discutir assuntos relacionados ao Banco Master. O BTG foi citado por ter avaliado a possibilidade de adquirir o banco.

Paulo Sérgio negou ter recebido qualquer tipo de propina de Vorcaro em troca de informações sigilosas e afirmou que Galípolo hesitou em comunicar ao Ministério Público Federal sobre as suspeitas que cercavam a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).

“Ele relatou que comunicou ao diretor Ailton a necessidade de fazer a notificação ao Ministério Público, e que a comunicação estava pronta”, informou à PF.

Paulo Sérgio afirmou ter realizado duas reuniões com Galípolo. Na primeira, ele alertou que o Banco Master havia deixado de recolher o compulsório (reserva obrigatória depositada no próprio BC) e que era necessário liquidá-lo ou encontrar uma solução de mercado junto ao BTG Pactual.

“Naquela primeira reunião, o diretor Galípolo pediu um voto de confiança para resolver a situação do BRB, por volta do final de fevereiro ou início de março. Na segunda reunião, no final de junho, Galípolo informou que não faria a comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, já que a informação recebida internamente indicava fraude na carteira”, detalhou.

O ex-diretor ainda afirmou que, durante sua sabatina no Senado, recebeu de Ailton a orientação de “jogar parado”.

Além disso, mencionou outro episódio sobre o Banco Master que envolveu o BTG e Campos Neto. Segundo Paulo Sérgio, em novembro de 2024, Ailton comunicou que o BTG havia concluído uma due diligence no Master, descobrindo uma fraude de R$ 32 bilhões.

“Ele relatou que a comunicação do BTG foi feita por telefone no dia 29 de novembro e que Ailton lhe pediu para ir a São Paulo na segunda-feira, pois na terça-feira o BTG faria uma apresentação, que ocorreu no dia 3 de dezembro de 2024, com a presença do presidente Roberto Campos Neto. O BTG, porém, não entregou documentação durante a reunião”, afirmou Paulo Sérgio.