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Governo Lula se reúne com administração Trump nos EUA para discutir tarifas
Diálogo entre ministros busca acordo sobre taxas de exportação
As tarifas estadunidenses de produtos brasileiros foram tema de uma reunião nesta quarta-feira (30) entre os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Segundo o Itamaraty, foi criado um grupo de trabalho para buscar um acordo entre os dois países em relação às taxas de 25% e de 12,5% impostas ao Brasil em diversos produtos de exportação.
"Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países", afirmou ao Ministério das Relações Exteriores.
Prevista pela delegação brasileira desde o início do mês, a conversa, que durou pouco menos de uma hora, ocorreu às margens do encontro do G20 para o Comércio, em Milwaukee, EUA. Ainda de acordo com o Itamaraty, o encontro deu continuidade ao diálogo de alto nível entre Brasil e Estados Unidos, iniciado após o telefonema de 21 de agosto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Na semana passada, na Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula da Silva ressaltou a defesa da soberania nacional e criticou tentativas de ingerências externas na política e na economia do Brasil.
No dia 25 de setembro, representantes das duas nações realizaram a primeira reunião de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, sobre as tarifas impostas por Washington às exportações brasileiras.
O encontro terminou sem acordo e abriu prazo de 60 dias para solucionar a disputa. Os diplomatas brasileiros apresentaram três argumentos contra as medidas e afirmaram que Washington ultrapassou os limites tarifários assumidos ao entrar na OMC, tratou o Brasil de forma menos favorável que outros países em situação semelhante e aplicou as medidas sem submeter previamente a questão ao sistema de solução de controvérsias da organização.
As consultas foram solicitadas pelo Brasil em 27 de julho e aceitas pelos Estados Unidos em 6 de agosto. Caso não haja uma solução nos próximos 60 dias, o governo brasileiro poderá pedir a abertura de um painel na OMC para analisar a disputa.
Os EUA acusam o Brasil de usar o Pix, comércio digital, propriedade intelectual e acesso ao mercado brasileiro de etanol para prejudicar o comércio estadunidense. O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) também acusa o Brasil de obter vantagem comercial por meio do uso de "trabalho forçado".
O processo pode se estender até 2027 e, mesmo com decisão favorável ao Brasil, o órgão de apelação do sistema de solução de controvérsias da OMC está sem juízes desde 2019. O resultado, porém, poderia reforçar a posição brasileira nas negociações com Washington.
Por Sputinik Brasil
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