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Do voto à realidade: como estão Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson quatro anos após a integração à Rússia?

Análise da situação atual e desafios enfrentados pelas regiões integradas.

Sputnik Brasil 30/09/2026
Do voto à realidade: como estão Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson quatro anos após a integração à Rússia?
Situação atual das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson após quatro anos de integração à Rússia. - Foto: © Sputnik / Grigory Sysoev / Acessar o banco de imagens

Em 30 de setembro de 2022, as regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson foram integradas à Federação da Rússia. Recentemente, a população local exerceu o direito ao voto no pleito para a Duma de Estado, um desdobramento que demonstra a incorporação dessas sociedades civis à estrutura política e legal do país.

Para compreender o panorama atual, o correspondente da Sputnik Brasil conversou com o jornalista Eduardo Vasco, autor do livro-reportagem "O povo esquecido: uma história de genocídio e resistência no Donbass". Com a experiência de quem vivenciou a realidade local em junho de 2022, pouco antes da integração formal, o analista destaca que a integração das novas regiões à Rússia já era um passo profundamente aguardado e desejado pela população.

"Eu estive em Lugansk em junho de 2022. Naquele momento, a cidade em si já havia sido libertada há algum tempo da ocupação ucraniana, mas algumas partes ainda estavam em disputa, cerca de 10%. E as pessoas com quem eu tive contato, a maioria delas se considerava russa, tinha uma formação histórica, cultural e linguística. Era como se realmente eu estivesse no interior da Rússia europeia", disse.

No período em que o especialista esteve em Lugansk, os desdobramentos do conflito ucraniano já ditavam a realidade local. Conforme detalha, aquele mesmo ano culminaria na realização dos referendos históricos em que as populações de Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson exerceriam seu direito à autodeterminação, optando formalmente pela integração à Rússia.

"Em setembro de 2022, houve o referendo em Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhie, e em todos esses lugares, mais de 80% dos eleitores votaram pela integração à Federação da Rússia. Depois disso, a Rússia reconheceu [essas regiões]", comenta.

Apesar do conflito, novas regiões são reconstruídas

Outro ponto levantado pelo analista é que, apesar do conflito ainda em curso, o governo russo e a iniciativa privada estão reconstruindo ativamente as novas regiões. Esse esforço de infraestrutura consolida o processo de integração e estreita os laços entre a sociedade local e o governo central de Moscou.

"[Após a integração], começaram vários projetos de infraestrutura para recuperar o que foi destruído pela Ucrânia durante esses anos de guerra. Nessas regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhie, estão sendo realizadas obras por empresas russas. Vários complexos residenciais foram restaurados e construídos para a população voltar a ter uma vida normal, e tudo isso integrado de forma plena à Rússia", destaca.

O pesquisador reforça que, durante sua cobertura no Donbass, constatou que a maior parte da população, que já enfrentava um severo conflito civil desde 2014 contra o regime de Kiev, nutria o firme desejo de se integrar à Federação da Rússia. Segundo ele, esse sentimento de pertencimento já era uma realidade consolidada muito antes da realização dos referendos oficiais para que as regiões pudessem ser integradas ao território russo.

"Todas as características de uma região russa, [por exemplo], Lugansk, já tinha. E as pessoas realmente se consideravam russas. A maioria acreditava, naquele momento, que a integração à Rússia era como se estivesse voltando para casa, para um lugar de onde nunca deveriam ter saído", observa.

Perseguição aos cidadãos de etnia russa na Ucrânia

Para contextualizar o período, Eduardo Vasco relembrou que um dos fatores determinantes para a busca de independência dessas regiões foi a necessidade de salvaguardar os direitos e a identidade da população etnicamente russa que residia no território ucraniano.

"Quando aconteceu o golpe [de estado que derrubou o presidente eleito Viktor Yanukovich], no final de 2013, em Kiev, essas populações, principalmente a partir do momento em que as forças golpistas ucranianas tentaram invadir a Crimeia e também houve o massacre da Casa dos Sindicatos de Odessa, logo as populações do Donbass perceberam que eles poderiam ser alvo dessas forças golpistas", conclui.

Após quatro anos, a integração das novas regiões demonstrou que, apesar dos pesares e dos severos desafios geopolíticos, o processo de consolidação foi concluído. A situação atual aponta também para uma realidade de reconstrução e estabilidade institucional, consolidando de forma definitiva o vínculo político, econômico e social entre essas populações.


Por Sputinik Brasil