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Ibovespa engata alta com eleição no radar; ações cíclicas amparam avanço
Depois de começar o dia com tom mais negativo, o Ibovespa se firmou em alta durante a tarde e interrompeu a sequência de quatro quedas seguidas, descolado do desempenho das bolsas norte-americanas e amparado pelo posicionamento dos investidores às vésperas da eleição. O setor de consumo foi destaque nas horas finais da sessão, após os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrar um aquecimento do mercado de trabalho.
O principal índice da B3 subiu 0,46%, aos 183.827,59 pontos, muito perto da máxima de 183.951,05 pontos pouco antes do fechamento. O índice chega ao penúltimo pregão de setembro com alta acumulada de 3,61% no mês. No ano, avança 14,1%. O giro financeiro de hoje somou R$ 20 bilhões.
O Caged mostrou uma criação de 165.827 postos de trabalho em agosto, acima do projetado. O dado aponta para um aquecimento da economia, tal qual a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que mostrou uma taxa de desempenho em linha com as estimativas, mas com a população ocupada no maior nível da série histórica.
Uma economia mais forte é, de um lado, negativo do ponto de vista de política monetária, já que enseja uma taxa de juros mais alta para controle inflacionário. Ao mesmo tempo, as empresas cíclicas, que sofrem com o juro elevado, encontram potencial alívio em termos de resultado financeiro. O Índice de Consumo da B3 (ICON) subiu 0,95%, enquanto o Índice Imobiliário (IMOB) teve alta de 1,55%. Quem limitou a alta do Ibovespa foi a Vale, em queda acima de 2%.
"O mercado melhorou depois que foi divulgado o Caged, acima do esperado, e isso fez com que as empresas ligadas ao setor de consumo melhorassem", afirma Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora. "Já as empresas exportadoras de commodities estão negociando em baixa, com destaque para a siderurgia."
No pano de fundo, as eleições seguem como grande ponto de atenção, especialmente de olho nas últimas pesquisas eleitorais que serão divulgadas nos próximos dias. A expectativa de um avanço da chapa à direita, que poderia representar, na visão do mercado financeiro, uma maior austeridade fiscal, ainda motiva um reposicionamento dos investidores.
"Se, por um lado, o Caged mostra a economia bastante aquecida e queremos, de certa forma, que ela desaqueça para diminuir a taxa de juros, por outro lado setores cíclicos que são dependentes de emprego podem se beneficiar. Mas acredito que realmente os investidores estejam olhando o 'trade' eleitoral, com a possibilidade de uma troca de governo", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
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