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Armas dos EUA no espaço podem provocar uma 'guerra nas estrelas'? Especialista explica
Pentágono utiliza arsenal estratégico em órbita, levantando questões sobre a militarização do cosmos.
O Pentágono e a Força Espacial dos EUA confirmaram operar armas de controle espacial em órbita, sem detalhar a natureza desse arsenal. Embora o Tratado de 1967 proíba armas nucleares no cosmos, Washington usou lacunas jurídicas para se projetar de forma mais incisiva no espaço, o que faz desse tema mais um ponto de tensão geopolítica.
Conforme explica Raquel dos Santos, professora de relações internacionais no Instituto de Estudos Estratégicos (Inest) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista à Sputnik Brasil, o cenário atual não aponta para uma guerra cinética com confrontos físicos no espaço ao estilo da ficção científica. Em vez disso, a prioridade estratégica reside nos desenvolvimentos tecnológicos voltados para dar suporte a operações na Terra, como a guerra eletrônica.
"A 'guerra nas estrelas', para a gente, é uma ideia muito da ficção científica, de naves espaciais lutando umas contra as outras e por aí vai. Só que no campo atual, a gente tem alguns meios do que a gente poderia denominar armas espaciais e que não necessariamente são um míssil explodindo um satélite. [Por exemplo] a guerra eletrônica, que é uma interferência e uma falsificação de sinais de forma muito simples. E ela acontece em terra também", disse.
Nesse sentido, a pesquisadora, cujo trabalho envolve as intersecções entre geopolítica e espaço sideral, também detalha outras modalidades de conflito originadas da experiência aeroespacial. No caso dos Estados Unidos, essa dinâmica ganha contornos práticos por meio das doutrinas operacionais da Força Espacial Americana.
"Quando a gente pensa na própria Força Espacial Americana, que foi criada em 2019 pelo presidente Donald Trump, a gente tem que ela vai descrever algumas categorias importantes ali de capacidades de estabelecimento de conflito no espaço. Como ataques cibernéticos, ou seja, se entra nos sistemas espaciais pelo ambiente cibernético. A gente tem os lasers e as outras armas de energia dirigida, que poderiam ser armas antissatélites", comenta.
Exploração espacial também tem contornos militares
Para contextualizar a estratégia de dissuasão militar espacial norte-americana, Raquel relembra os conceitos de astropolítica de Everett Dolman, teórico estadunidense que define o espaço como a nova fronteira dos teatros de operações. No entanto, embora o cosmos já seja tratado formalmente como um domínio de combate, a professora ressalta que ainda não se pode afirmar que uma guerra espacial aberta esteja de fato em curso.
"A utilização da astropolítica, que vai nascer pela teoria do Everett Dolman, que vai falar que os EUA devem cumprir objetivos importantes, ou seja, entendendo esse espaço exterior como um novo teatro de guerra. Ou seja, há um risco de aceleração da competição militar no espaço. Mas é importante a gente separar isso do que dizer que uma nova corrida armamentista já está plenamente em vigor no espaço", destaca.
De acordo com a especialista, a corrida espacial está longe de ser um fenômeno recente: durante a Guerra Fria, a disputa pelo cosmos já era protagonizada pelas duas superpotências da época, a União Soviética e os EUA.
"O espaço nasce militarizado. A conquista do espaço nasce durante a Guerra Fria. A União Soviética sai na frente nesse processo, mas ele é totalmente utilizado para fins militares, seja de projeção e de aumento de prestígio, dentro da disputa bipolar da Guerra Fria. E a gente vai herdar essa militarização do espaço. O que se tenta fazer hoje é evitar no espaço armas de caráter ofensivo", observa.
Corrida aeroespacial possui outros atores envolvidos
Outro ponto levantado por Raquel dos Santos é que, além dos Estados Unidos, outros países protagonizam a exploração espacial, como Rússia, China e Índia, que possuem conhecimento e pesquisas avançadas no setor.
"A gente tem que lembrar que há outros players como Rússia, China, Índia, que são atores importantíssimos nessa disputa. A Rússia tem todo um legado da herança soviética e atual de construção de um poder espacial. A China veio, digamos que, atrasada nesse desenvolvimento, mas hoje em dia é um ator importantíssimo nessa [nova] conquista do espaço", conclui.
O avanço de inovações disruptivas tornou a exploração espacial indispensável. Diante de um cenário internacional conturbado por conflitos em diversas partes do globo, o espaço sideral inevitavelmente assume um papel estratégico e militar central.
Por Sputinik Brasil
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