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Crise energética na Europa se agrava após sanções à Rússia, alerta analista

Entrevista revela os impactos das sanções e a situação atual nos combustíveis franceses

Sputnik Brasil 25/09/2026
Crise energética na Europa se agrava após sanções à Rússia, alerta analista
Análise sobre a crise energética na Europa e suas consequências após as sanções à Rússia - Foto: © AP Photo / Ebrahim Noroozi/Pool

A crise dos combustíveis na França reacende o debate sobre os efeitos colaterais da ruptura energética entre a União Europeia (UE) e a Rússia. Com os preços em alta e postos registrando a falta de pelo menos um tipo de combustível, o presidente Emmanuel Macron defende uma reunião do G7 para discutir a crise energética, aumentando a pressão interna dentro da Europa.

O cenário, marcado por hostilidades de Bruxelas contra Moscou e sanções impostas em diversos setores, trouxe impactos que ultrapassam as fronteiras europeias. Valdir Bezerra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo, explica que essa situação é complexa.

“A União Europeia, na tentativa de isolar a Rússia a todo custo, implementou sanções diretas a Moscou. Muitos analistas já afirmaram que essas sanções foram as mais draconianas. Isso tem custos não só para a UE, mas também para outras partes do mundo. Além do problema da energia, tivemos um encarecimento dos preços de combustíveis e alimentos”, diz.

Bezerra destaca também que as sanções tendem a ter um “efeito bumerangue”, alcançando não apenas o país sancionado, mas também aqueles que as impõem, resultando em danos colaterais, como observamos atualmente na Europa.

“Hoje, no mundo em que vivemos, uma crise localizada tem efeitos globais. O conflito na Ucrânia não poderia ser diferente. Essa situação foi amplificada pelas sanções, que atuam como um efeito bumerangue. Aqueles que as aplicam acabam sofrendo um golpe quando esse bumerangue volta para as mãos do seu detentor”, comenta.

Crise na França: sintoma europeu de uma grave crise

Para Bezerra, os problemas de abastecimento nos postos franceses e a reação de Emmanuel Macron em convocar o G7 refletem uma crise profunda, com desdobramentos que vão além das fronteiras francesas. A dificuldade energética na Europa já é uma realidade.

“Recentemente, tivemos problemas graves na França. Informações indicam que cerca de 10% dos postos não têm pelo menos um tipo de combustível. Macron propôs até o uso das reservas estratégicas europeias. Lembre-se que 'reserva estratégica' é um recurso a ser utilizado apenas em casos extremos nas relações internacionais”, enfatiza.

O analista ressalta que a raiz desta crise energética europeia está diretamente ligada às sanções econômicas. Ao adotá-las, a Europa limitou seu acesso aos recursos energéticos da Rússia, que era o principal fornecedor até então.

“A França está começando a propor ideias sobre a utilização desse tipo de reserva. Tudo isso decorre das sanções que a União Europeia decidiu impor contra a Rússia, buscando reduzir a dependência da energia russa, primeiro do gás natural e, depois, do petróleo”, observa.

Europa não pode produzir energia por conta própria

Um agravante importante para Bruxelas é a incapacidade crônica da Europa de alcançar a autonomia energética. A tentativa de contornar a crise, importando recursos do Oriente Médio, foi seriamente afetada pelos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, que resultaram no fechamento do estreito de Ormuz, estrangulando as rotas de abastecimento e complicando ainda mais a situação europeia.

“Antes do início do conflito na Ucrânia, a Rússia fornecia cerca de 30% de todo o petróleo importado pela UE, que não produz o suficiente para atender ao seu consumo doméstico. A importação de petróleo russo para a UE caiu para menos de 5%. Com o fechamento do Ormuz, após os ataques ao Irã, a Europa se vê em uma situação bastante complicada”, conclui.

A dinâmica econômica e as decisões na política internacional geram impactos que transcendem as fronteiras, afetando uma cadeia diversificada de Estados. Em um mercado global interdependente, debates como o da transição energética deixam de ser locais e passam a moldar a segurança e o desenvolvimento de qualquer nação.


Por Sputinik Brasil