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Pobreza na Argentina sobe e ultrapassa um terço da população no 1º semestre de 2026

Aumento da pobreza e desemprego marcam a economia argentina em meio a planos de austeridade.

Sputnik Brasil 25/09/2026
Pobreza na Argentina sobe e ultrapassa um terço da população no 1º semestre de 2026
A pobreza na Argentina ultrapassa um terço da população no primeiro semestre de 2026. - Foto: © AP Photo / Rodrigo Abd

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) da Argentina anunciou nesta quinta-feira (24) que a pobreza no país alcançou 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, a primeira alta no índice em dois anos.

Com isso, dos cerca de 47 milhões de argentinos, 9,7 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, no que diz respeito à renda das famílias, ao acesso a necessidades essenciais, como alimentos, vestuário, transporte, educação e saúde. Cerca de 2,5 milhões de famílias (24,4%) se encontravam nesta situação.

Entre os mais pobres, o número de pessoas em situação de indigência também cresceu, para 2,2 milhões de pessoas, 7,5% da população. No segundo semestre de 2025, o número era de 1,9 milhão (6,3%). Entre as famílias, 600 mil foram consideradas indigentes (5,6%) no período analisado, frente a 500 mil registrados no último semestre de 2025 (4,8%).

O índice de pobreza chegou a 52,9% em 2024 e a melhora do indicador foi utilizada pelo governo do presidente Javier Milei para justificar o plano econômico de arrosto fiscal, com cortes de gastos, fim de subsídios e a flexibilização das importações.

Dados oficiais também apontaram que quase metade da população economicamente ativa está na informalidade e o desemprego subiu para 7,9%, o maior nível desde 2021. Além disso, cerca de 30 mil empresas fecharam na Argentina desde a posse de Milei, no fim de 2023.

A queda do consumo e de investimentos fez a economia argentina recuar 0,6% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o trimestre anterior, segundo o Indec.

Recentemente, o presidente declarou que tentará a reeleição no ano que vem, mas pesquisas de opinião sinalizam queda na aprovação do presidente entre os mais pobres, como o levantamento da AtlasIntel de setembro em que a desaprovação entre os entrevistados de baixa renda - com renda mensal de até cerca de US$ 650 (R$ 3.374) - chegou a quase 70%.

A próxima eleição presidencial argentina está prevista para outubro de 2027, enquanto o atual mandato de Milei termina em 10 de dezembro do mesmo ano.


Por Sputnik Brasil