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Exército e Firjan realizam exercício de defesa do Hemisfério Sul contra ciberataques

Treinamento busca fortalecer a resposta a incidentes cibernéticos no Brasil.

Sputnik Brasil 24/09/2026
Exército e Firjan realizam exercício de defesa do Hemisfério Sul contra ciberataques
Exército e Firjan promovem exercício de defesa contra ciberataques no Hemisfério Sul. - Foto: © Sputnik / Melissa Rocha

Treinamento tem como objetivo aprimorar a capacidade de resposta de empresas e órgãos públicos contra ciberataques.

O Exército Brasileiro realiza nesta semana, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), a 8ª edição do exercício Guardião Cibernético, o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A edição deste ano é feita em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O exercício ocorre simultaneamente em hubs localizados no Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Manaus (AM), Recife (PE), Belém (PA), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).

O treinamento consiste em simular ataques cibernéticos que possam comprometer a infraestrutura crítica do Estado e os setores essenciais para a sociedade. O objetivo do exercício é ampliar a integração entre governo, iniciativa privada e meio acadêmico na resposta a incidentes cibernéticos complexos e coordenados.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o Capitão de fragata Ferreira Jesus, do ComDCiber, afirmou que as empresas participantes do treinamento enfrentam uma série de desafios, permitindo melhorar seus processos internos contra ciberataques e identificar os pontos que necessitam de investimento e colaboração com instituições do mesmo setor.

"Essa colaboração é de suma importância, porque às vezes uma empresa de um setor começa sofrendo um ataque; ela pode avisar as outras e todo o setor não cai junto, apenas uma empresa sofre, enquanto colabora com as demais."

Alexandre Reis, diretor-executivo operacional do Sistema Firjan e diretor-executivo do Sesi Senai, destaca que a questão dos ataques cibernéticos é uma agenda mundial e mencionou a inauguração, em dezembro de 2025, de um centro de referência em tecnologias educacionais. Este centro é focado em tecnologia da informação e comunicação (TIC), inteligência artificial (IA), cibersegurança, tecnologia quântica, conectividade e infraestrutura.

"Inauguramos em dezembro com esse objetivo: ajudar a formar profissionais que capacitem as empresas a se comportarem dentro de uma agenda de defesa e de como reagir a um ataque em um ambiente de crise."

Um dos órgãos públicos que participou do treinamento foi o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O diretor geral do Detran, Alexandre Bastos Mattioli, afirmou que o órgão é alvo de constantes tentativas de ataques cibernéticos, dado que concentra uma vasta base de dados do Estado. Diante disso, ele ressaltou a importância de participar do treinamento.

"Esses ataques, hoje, se tornam um transtorno para o órgão e, cada vez mais, precisamos investir na parte de cibersegurança."

A diretora de operações (COO) da Eco Trust, plataforma brasileira de IA agêntica para cibersegurança, Luciana Durbano, destacou a importância de desenvolver tecnologia nacional contra ciberataques.

"Estamos aqui dentro do exercício do Guardião Cibernético com uma equipe de arquitetura, engenharia, especialistas em segurança e também com um time jurídico, realizando todo esse exercício de maneira completa, desde governança até arquitetura, proporcionando ao Guardião Cibernético a robustez de uma tecnologia nacional, que nasceu em nosso país e que faz parte do nosso ativo."

Representando grupos de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) e como instrutor da Firjan, Vagner da Costa Lima enfatizou a necessidade de envolver a sociedade com ciência, tecnologia, defesa nacional e soberania de dados.

"Estamos debatendo como tecnologias muito utilizadas pela juventude têm origens que remontam à Segunda Guerra Mundial, em tecnologias de cálculo de mísseis, por exemplo. O inventor do videogame, William Rigbott, também esteve envolvido na criação das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki. Portanto, dialogar com a sociedade sobre como as tecnologias serão utilizadas e desenvolvidas é sempre importante", afirmou.


Por Sputnik Brasil