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Galípolo: precificação de cortes da Selic se ajusta conforme dados disponíveis

Efeito dos dados na política monetária e medidas macroprudenciais

Estadao Conteudo 24/09/2026
Galípolo: precificação de cortes da Selic se ajusta conforme dados disponíveis
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a precificação de cortes da Selic está em constante movimento conforme os dados disponíveis e que todos os agentes do mercado dependem das informações coletadas. A declaração foi feita durante a coletiva de imprensa relacionada ao Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado mais cedo.

“Essa precificação vem se movendo a partir dos dados que têm sido apresentados. Observamos as respostas recebidas no questionário e como isso tem se alterado, principalmente com a visão de um processo de desaceleração. Atualmente, todos os envolvidos no mercado e os bancos centrais ao redor do mundo estão dependentes de dados”, afirmou Galípolo.

Ele acrescentou que a indexação é uma das razões pelas quais a Selic permanece elevada no Brasil. “Minha visão é de que a precificação está em movimento com base nos dados revelados. De fato, o processo de indexação, que gera inércia, é um dos fatores que explica por que o Brasil convive historicamente com taxas de juros mais altas do que outros países”, completou o presidente do BC.

Medidas macroprudenciais

Gabriel Galípolo ainda comentou que as medidas macroprudenciais a serem anunciadas não dependem do momento do ciclo econômico. “Essas medidas independem do ciclo econômico”, afirmou, acrescentando que tais ações ajudam a população a escapar do ciclo de juros altos relacionados ao crédito emergencial para aumentar o poder aquisitivo.

“Há um elevado comprometimento da renda. Sem as medidas macroprudenciais, será difícil para as pessoas saírem desse ciclo. É crucial que implementemos ações preventivas, com transparência e atrito, que gerem consciência no processo de contratação dessas linhas de crédito, em defesa da proteção e da cidadania financeira”, completou Galípolo.

Bolsa Família

O presidente do Banco Central também mencionou que o reajuste de 15% no Bolsa Família será incorporado pela autoridade monetária em seus modelos assim que estiver em vigor, de maneira gradual. “O Banco Central começará a incluir essa informação a partir do momento em que a medida for aprovada e estiver vigente, de forma gradual, conforme reunirmos mais evidências e pudermos observar. Esse modelo tem se mostrado eficiente para o Banco Central”, comentou Galípolo.

Ele ainda destacou que, em cenários de muita instabilidade, é necessário ter “humildade” ao interpretar os dados para tomar decisões, o que é igualmente válido para o aumento do Bolsa Família.