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Dólar tem leve queda com maior apetite ao risco após fala de Trump sobre Irã
Mercado reage positivamente a declarações de Trump sobre negociações com o Irã.
Após subir pela manhã e tocar pontualmente o nível de R$ 5,13, o dólar perdeu força ao longo da tarde, em sintonia com a virada do Ibovespa para o campo positivo, e encerrou a sessão desta terça-feira, 22, com queda de 0,11%, a R$ 5,1029, após mínima de R$ 5,0979. Em setembro, a moeda já recua 1,49%.
Em um cenário sem novidades sobre a corrida presidencial, com pesquisas recentes, como a sondagem da Quaest divulgada na segunda-feira à noite, reforçando o quadro de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o comportamento da taxa de câmbio esteve muito atrelado ao ambiente externo, segundo operadores.
As cotações do petróleo, que vinham em leve alta, passaram a recuar após o presidente norte-americano, Donald Trump, revelar que uma delegação dos EUA se reuniu com representantes do Irã à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A conversa entre as partes durou cerca de três horas e, segundo Trump, foi muito “produtiva”.
"Essas declarações de Trump abriram espaço para algum ânimo em ativos de risco, o que favoreceu a bolsa e o real. Ele claramente está tentando conter o avanço nos preços de energia antes das eleições parlamentares americanas em novembro", afirma o head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento.
Com a mudança de sinal à tarde, as cotações internacionais do petróleo emendaram o quinto pregão consecutivo de baixa. O contrato do Brent para novembro fechou em queda de 1,09%, a US$ 99,25 o barril, abaixo da marca de US$ 100 pela primeira vez desde 9 de setembro. A commodity ainda avança cerca de 8% no mês e exibe ganhos de mais de 60% no ano.
"Tivemos o Irã, mais cedo, falando em retomar o fluxo em Ormuz e depois Trump revelando que estavam ocorrendo conversas entre os dois lados, algo que não temos praticamente desde junho", afirma o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, que, no cenário local, destaca a percepção de estagnação de Flávio nas pesquisas eleitorais.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia 0,10% por volta das 17h, aos 100,526 pontos, após máxima aos 100,703 pontos. A perspectiva é de mais aperto monetário nos EUA, apesar do alívio nos preços do petróleo nos últimos dias. O Dollar Index já avança mais de 1% em setembro, quando voltou a superar a marca dos 100,000 pontos.
"O Federal Reserve acabou de aumentar os juros e as declarações de dirigentes nesta semana são de que vai ocorrer pelo menos mais uma alta, o que dá apoio ao dólar global", afirma Chiumento, do BS2.
Dois presidentes de distritais do Fed - Thomas Barkin (Richmond) e Susan Collins (Boston) - reiteraram hoje que a preocupação do BC americano é com a inflação, uma vez que o mercado de trabalho e a atividade continuam a mostrar sinais de solidez. Uma taxa de juros “um pouco mais restritiva” vai ajudar a levar a inflação à meta de 2%, afirmou Collins.
Por aqui, a divulgação da ata do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, quando a taxa básica foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano, veio em tom similar ao do comunicado, deixando a porta aberta para novos cortes da Selic, segundo a maioria dos economistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
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