Geral
Ibovespa fecha em alta com petróleo em queda após declarações de Trump
Mercado reage positivamente à possível descompressão da inflação global.
A potencial descompressão da inflação global, resultado da queda nos preços do petróleo, melhorou o humor dos investidores ao longo da tarde desta terça-feira, levando o Ibovespa a encerrar em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos -- perto da máxima da sessão, de 187.671,74 pontos. O giro financeiro no dia foi de R$ 22 bilhões e, com o desempenho de agora, o Ibovespa já acumula alta de 5,64% em setembro. No ano, o avanço é de 16,3%.
O petróleo caiu pela quinta sessão consecutiva, agora abaixo do nível dos US$ 100 (-1,09%, a US$ 99,25 o barril do Brent). Com isso, os investidores voltam a ajustar suas posições a favor de ativos de maior risco, já que um barril mais barato afasta os temores de endurecimento da inflação e, consequentemente, um aumento sustentado de juros nas economias desenvolvidas, especialmente nos EUA.
O movimento de queda do petróleo e, consequentemente, de alta do Ibovespa, ocorreu no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico está maior e que a delegação americana enviada à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu com representantes do Irã. O republicano classificou a conversa como "muito produtiva". Na última hora do pregão, Trump disse que o Irã "vai fazer algo de bom".
"A possibilidade de Trump fazer algum tipo de acordo no curto prazo e voltar a ter conversas que aliviem o preço do petróleo anima o mercado. O petróleo abaixo de US$ 80 é benéfico para reduzir o prêmio das Treasuries, com o título de 10 anos permanecendo abaixo de 5%. Entre US$ 80 e US$ 90, o cenário é mais neutro. Já um petróleo acima de US$ 100 é inflacionário, elevando as taxas de juros americanas e aumentando a probabilidade de uma política monetária mais dura", afirma Daniel Miraglia, economista-chefe daIntegral Group.
Internamente, os investidores seguem aguardando as novidades na frente eleitoral, à espera de novas pesquisas que confirmem ou não o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto. Até aqui, o senador está tecnicamente empatado com o presidente Lula (PT) nos levantamentos, e a expectativa de alternância de poder e de uma agenda mais fiscalista vem motivando os investidores a assumir mais risco na renda variável.
"O mercado ainda está aguardando um desfecho sobre a guerra entre EUA e Irã. Se tivermos conversas que possibilitem uma normalização na situação do Oriente Médio ou mais pesquisas eleitorais que façam o mercado acreditar em uma maior chance de ajuste fiscal, o jogo pode virar a favor da bolsa. Até lá, devemos ver movimentos mais contidos", afirma Matheus Spiess, economista e estrategista da Empiricus.
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