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ONU: Guterres diz que só poder militar não garantirá a paz e pede multipolaridade

Secretário-geral aborda desafios globais em discurso na 81ª Assembleia Geral

Estadao Conteudo 22/09/2026
ONU: Guterres diz que só poder militar não garantirá a paz e pede multipolaridade
António Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22), pedindo um mundo focado na multipolaridade e representatividade diante dos desafios de inteligência artificial (IA) e o alastramento de guerras.

Sem mencionar nenhum país em específico, ele enfatizou a necessidade de "um reconhecimento, especialmente por parte das superpotências, de que seu poder não é tão 'super'. Seu poder tem limites". De acordo com Guterres, o poder militar sozinho não pode garantir a paz, o poder econômico sozinho não pode comandar a estabilidade, e o poder tecnológico sozinho não pode garantir a segurança.

Para Guterres, é crucial evitar tendências hegemônicas e a divisão do mundo em dois blocos rivais com sistemas econômicos, tecnológicos e de segurança separados.

Em um sistema multilateral, Guterres também afirmou que é preciso dar um fim às guerras que afligem o mundo e solicitou diálogo para as guerras no Irã, Gaza, Ucrânia e Sudão. "Não podemos permitir que a solução de dois Estados desapareça diante dos nossos olhos", enfatizou sobre a Palestina e Israel.

Esse foi o último discurso de Guterres à frente da organização. Além dos conflitos sem solução, ele comentou que seu mandato foi marcado pelo avanço dos modelos de IA como um tema da agenda internacional. O secretário-geral defendeu que as nações coordenem esforços globais para regular a tecnologia e garantir sua segurança através de órgãos independentes.

"Os seres humanos estão cada vez mais delegando poder às máquinas. A IA está em expansão, e armas autônomas estão deixando a ficção científica para se tornarem realidade militar. No entanto, nossas instituições e sistemas de governança continuam a refletir as dinâmicas de poder e os interesses de uma era em grande parte superada. Esse é o desafio decisivo que temos pela frente", disse.

Segundo ele, é necessário com urgência uma reforma do Conselho de Segurança para enfrentar os "problemas de hoje", pois o mundo mudou desde a criação do Conselho após a Segunda Guerra Mundial.