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Europa alerta para dependência dos EUA na corrida por armas e munições, diz mídia

CEO da Nammo destaca interdependência do setor de defesa europeu com os Estados Unidos.

Sputnik Brasil 21/09/2026
Europa alerta para dependência dos EUA na corrida por armas e munições, diz mídia
CEO da Nammo destaca dependência da Europa em relação aos EUA na produção de armas. - Foto: © AP Photo / Matt Slocum

A Europa intensifica planos para ampliar sua produção de armas, mas o CEO da Nammo, Morten Brandtzæg, alerta que o continente não consegue se suprir sozinho e depende da cadeia integrada com os EUA. Ele cita mísseis usados nos caças F-35 como exemplo dessa interdependência.

Segundo avaliação de Brandtzæg, a Europa não consegue suprir as necessidades de defesa da região sozinha e depende de uma produção integrada com os EUA.

Falando à mídia britânica, o CEO afirma que o aumento da fabricação de armas deve ser visto como um esforço conjunto dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já que a cadeia de suprimentos é profundamente interligada.

Brandtzæg menciona os mísseis ar-ar avançados de médio alcance (AMRAAM, na sigla em inglês), usados pelos caças F-35. Ele ressalta que os motores de foguete, produzidos pela Nammo na Noruega, são enviados aos EUA, integrados pela Raytheon e depois retornam à Europa para equipar aeronaves em operação. Portanto, reorganizar essa cadeia para produzir tudo apenas na Europa seria inviável no curto prazo.

O alerta do executivo surge em um momento em que países europeus buscam reduzir a dependência de tecnologias norte-americanas, especialmente diante das tensões com o governo de Donald Trump e os atrasos na entrega de sistemas de armas já contratados aos EUA.

Washington já informou aliados que enfrentariam longas esperas por equipamentos, pois prioriza a recomposição de estoques esgotados pela guerra no Oriente Médio. Isso levou alguns governos a buscar alternativas nacionais ou europeias, ampliando o debate sobre autonomia industrial.

Ainda segundo a apuração, durante um evento na base da Nammo em Raufoss, Brandtzæg pediu que decisões políticas de curto prazo não comprometam a ambição de longo prazo de manter a cooperação transatlântica. Ele afirmou que a empresa está expandindo sua produção nos EUA, liberando capacidade adicional nas fábricas europeias.

O executivo descreveu a necessidade por coordenação como uma "sinfonia cuidadosamente orquestrada" entre aliados, destacando que a interdependência industrial é parte estruturante da defesa ocidental.

Contudo, a urgência para manter a prontidão europeia preocupa as autoridades da região, que podem acabar desagradando os EUA ao buscarem sistemas europeus. Atrasos no sistema Patriot, por exemplo, empurraram entregas para a próxima década, estimulando países como a Dinamarca a optar pelo sistema europeu SAMP-T NG.

Segundo Patrice Caine, CEO da Thales, cerca de uma dúzia de países europeus e do Oriente Médio demonstraram interesse no SAMP-T NG, impulsionados tanto pelo desempenho quanto pela disponibilidade. A empresa também negocia com o Reino Unido o fornecimento de foguetes guiados a laser produzidos na Bélgica, devido à escassez do Hydra-70 norte-americano.


Por Sputinik Brasil