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Escassez de navios-tanque pressiona preço do frete e agrava crise do petróleo

Aumento de custos cria incertezas no abastecimento global.

Sputnik Brasil 21/09/2026
Escassez de navios-tanque pressiona preço do frete e agrava crise do petróleo
Escassez de navios-tanque impacta preços e abastecimento global de petróleo. - Foto: © AP Photo / Rafiq Maqbool

Ataques ao oleoduto saudita obrigaram a Arábia Saudita a desviar grandes volumes de petróleo pelo estreito de Ormuz, onde a frota global já operava no limite. O redirecionamento sobrecarregou os navios-tanque, elevou o frete a recordes e atrasou entregas, criando uma escassez logística que pressiona o mercado de combustíveis.

A tensão entre Irã e Arábia Saudita desencadeou uma escassez inédita no mercado de petróleo que não se limitou ao produto, mas se estendeu para navios de transporte, de acordo com a mídia norte-americana. Os ataques com drones ao oleoduto de desvio saudita obrigaram ao redirecionamento de grandes volumes pelo estreito de Ormuz, sobrecarregando uma frota já operando no limite e ampliando drasticamente os custos de frete.

Com viagens mais longas e rotas de ida e volta, os navios ficam retidos na região, atrasando entregas e comprimindo margens das refinarias. Mesmo que o preço global do petróleo recue, o custo logístico tende a manter os combustíveis caros, pressionando consumidores em mercados sensíveis, como os Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato.

A escassez de superpetroleiros elevou o custo de fretamento no Golfo a mais de US$ 1 milhão (mais de R$ 5,14 milhões) por dia, o equivalente a um incremento de US$ 26 (R$ 133,76) por barril, uma proporção inédita. As tarifas também dispararam em rotas internacionais, e a receita média global dos navios de transporte de petróleo de muito grande capacidade (VLCCs, na sigla em inglês) dobrou após o fechamento do oleoduto saudita, que antes permitia contornar Ormuz e aliviar a pressão sobre a frota.

Diante desta tensão, a estatal de petróleo da Arábia Saudita, Saudi Aramco, tenta reativar parcialmente o oleoduto, mas enfrenta entraves técnicos. Sem carregamentos na cidade portuária de Yanbu desde os ataques reivindicados pelos houthis do Iémen, clientes europeus e asiáticos foram avisados sobre atrasos e possíveis cancelamentos em setembro e outubro, ampliando a incerteza no abastecimento global.

Os riscos de ataques no Bab al-Mandeb fizeram com que os navios sauditas passassem a contornar o Cabo da Boa Esperança, adicionando semanas às viagens e custos milionários por trajeto.

De acordo com a apuração, para manter o fluxo, a estatal saudita intensificou transferências de navio para navio próximas a Ormuz, solução que mantém o petróleo em movimento, mas ocupa embarcações que deixariam de atender outras rotas.

Desde o ataque, ao menos 12 VLCCs deixaram Ormuz com 24 milhões de barris de Ras Tanura, enquanto a Aramco negocia entregas via transbordo ao largo de Omã. A estratégia, porém, retém parte da frota mundial na região e é justamente o movimento que acaba agravando a escassez global de navios.

Cerca de 15% da frota mundial de VLCCs está concentrada ao largo de Omã, enquanto outros percorrem rotas mais longas pelo Cabo. Analistas que falaram à mídia alertam que a capacidade para ampliar transferências é limitada, o que restringe alternativas e mantém a pressão sobre o sistema logístico.

Apesar das dificuldades, especialistas afirmam que o método de transbordo funciona, desde que o Irã não imponha novas barreiras, sustentando temporariamente o fluxo global de petróleo em meio a um cenário de forte tensão geopolítica e gargalos marítimos crescentes, graças a um conflito iniciado por EUA e Israel, para o qual Washington ainda não tem uma saída.


Por Sputinik Brasil