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Juros dos EUA pressionam fluxo global e desafiam atratividade do Brasil, diz mídia

Brasil mantém vantagem com juros reais elevados, mas cenário externo gera incertezas.

Sputnik Brasil 21/09/2026
Juros dos EUA pressionam fluxo global e desafiam atratividade do Brasil, diz mídia
Artigos destacam impacto dos juros dos EUA sobre a economia e investimentos no Brasil. - Foto: © Foto / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA reacende dúvidas sobre a atratividade dos ativos locais, mas analistas afirmam que o país segue competitivo graças aos juros reais elevados.

A redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos reacende dúvidas sobre a atratividade dos ativos locais, já que taxas norte-americanas mais altas tendem a deslocar parte do capital para mercados considerados mais seguros e líquidos.

Falando à mídia brasileira, João Daronco, da Suno, avalia que o menor diferencial pode reduzir o fluxo estrangeiro para o Brasil, afetando bolsa, renda fixa e câmbio. Ele ressalta, porém, que a queda da Selic não elimina o apelo do país para investidores internacionais.

Mesmo após as decisões recentes, o diferencial nominal entre as taxas básicas segue entre 9,75 e dez pontos percentuais, um número ainda elevado no cenário global e relevante para estratégias de carry trade, ou seja, quando um investidor toma recursos em um país com juros baixos e aplica em outro com juros altos para lucrar com a diferença. Logo, quanto maior a diferença, maior tende a ser o retorno para quem aplica recursos em títulos brasileiros em vez de norte-americanos.

Para Marcos Praça, da ZERO Markets, o Brasil mantém uma das maiores taxas reais do mundo, e é isso que sustenta o interesse pela bolsa e evita movimentos bruscos de saída, apesar da mudança no ambiente externo.

Mas a atratividade das ações não depende apenas do quanto a diferença de taxa pode parecer atrativa; fatores como câmbio e percepção de risco vão ser determinantes para a expectativa de lucro. Nicolas Mérola, da EQI, lembrou à apuração que o investidor estrangeiro reage à rotação dentro dos emergentes, não apenas ao nível dos juros. Portanto, quando ocorre uma distribuição dos recursos entre países como Brasil, México, Índia, Indonésia ou África do Sul, a tendência é que outros investidores acompanhem o movimento, uma vez que o mercado financeiro é especulativo e teme a perda de capitais.

Com a possibilidade de nova alta nos EUA, parte do capital tende a permanecer lá. Ainda assim, Will Castro Alves, da Avenue, afirma à mídia que não há risco estrutural para a bolsa brasileira, condicionando o cenário a fatores como o resultado das eleições, o panorama do regime fiscal e preços das commodities.


Por Sputinik Brasil