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Durigan: compromisso é não colocar dinheiro nos Correios depois do aporte de R$ 6 bi

Ministro critica gestão anterior e defende parcerias com a iniciativa privada

Estadao Conteudo 18/09/2026
Durigan: compromisso é não colocar dinheiro nos Correios depois do aporte de R$ 6 bi
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o compromisso do governo Lula é não realizar novos aportes nos Correios após o valor previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que é de R$ 6 bilhões. Ele criticou a gestão da estatal durante o governo Jair Bolsonaro (PL), destacando que a empresa ficou defasada e acumulou problemas relacionados a custos com pessoal, investimentos em tecnologia e exploração de novas frentes de mercado.

"Nós identificamos esse problema e trocamos a direção. Estamos exigindo do novo presidente, que tem feito um bom trabalho, que melhore a gestão e coloque os Correios na vanguarda. Se é investimento que precisa ser feito, seja público ou com os bancos, que se faça. Mas isso será uma única vez, para que os Correios virem a página. A nossa ideia e compromisso é não colocar mais dinheiro nos Correios após esse aporte previsto para o ano que vem", declarou Durigan em entrevista ao portal UOL.

Segundo ele, o aporte planejado para o próximo ano permitirá a recuperação dos Correios. "Os Correios vão formar parcerias com a iniciativa privada, explorar diferentes oportunidades no mercado, inovar, diversificar o mapa de serviços e deixar de depender de investimentos públicos", defendeu.

Na entrevista, Durigan ainda informou que estão sendo analisadas restrições à publicidade e ao design dos jogos de apostas. Ele mencionou que novas medidas podem ser implementadas ainda este ano, "para que possamos continuar protegendo as famílias do endividamento excessivo e da perda de renda".

"Existem várias coisas que estamos estudando: restrições de publicidade e o próprio design desses aplicativos. Por exemplo, um jogo que diz: 'Você aperta uma vez esse botão e vai jogar automaticamente 100 vezes'. É razoável que isso exista? Ou, para que o apostador jogue 100 vezes, ele precisa tomar 100 decisões? Esse tipo de discussões é relevante para uma sociedade com renda per capita ainda baixa", analisou.

Questionado sobre a arrecadação com as apostas, o ministro afirmou que não é um tema prioritário na discussão. O governo Lula prepara uma Medida Provisória para proibir a operação de cassinos online - conhecidos como bets - antes da eleição, marcada para o início de outubro.

A MP foi elaborada pelo Ministério da Fazenda, que possui uma secretaria específica para tratar do assunto, e está em avaliação no Palácio do Planalto no momento, conforme relatado por fontes. A expectativa é que a medida seja publicada e enviada ao Congresso Nacional nos próximos dias, ainda antes do 1º turno das eleições.