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Brasil aumenta cerco a comércio irregular de celulares; Receita anuncia inclusão do IMEI na nota fiscal

Nova fase da Operação Segunda Chamada visa combater o mercado ilícito de aparelhos roubados.

Sputnik Brasil 17/09/2026
Brasil aumenta cerco a comércio irregular de celulares; Receita anuncia inclusão do IMEI na nota fiscal
Brasil intensifica combate ao comércio ilegal de celulares com nova regra sobre IMEI na nota fiscal. - Foto: © Sputnik / vinicius fernandes

Durante entrevista coletiva concedida no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (17), integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Receita Federal detalharam os resultados da segunda fase da Operação Segunda Chamada e anunciaram novas regras fiscais para sufocar o mercado ilícito de aparelhos roubados e furtados.

Foram apresentados os desdobramentos da megaoperação integrada para combater o comércio clandestino de telefonia móvel no Brasil. Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, pela Receita Federal e outros órgãos, a iniciativa fiscalizou 241 estabelecimentos comerciais em 15 estados do país, com foco na rede de receptação de aparelhos furtados ou roubados.

Além do balanço das fiscalizações nos pontos de venda, as autoridades anunciaram uma importante medida de rastreabilidade: a inclusão obrigatória do código IMEI (identificação única do aparelho) em todos os documentos fiscais de venda no país, visando inviabilizar a comercialização de produtos de origem criminosa.

Estratégia conjunta contra o crime organizado

Durante a coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que a operação integra uma ofensiva nacional continuada e estruturada para sufocar as engrenagens econômicas que sustentam a criminalidade.

"A operação revela uma estratégia bem planejada, com diversas frentes para combater a problemática dos roubos de celulares. A interação entre as forças de segurança e os órgãos de fiscalização é fundamental para alcançar os diferentes elos dessa cadeia. São respostas do Estado à criminalidade, em um esforço contínuo que envolve as esferas federal, estadual e municipal, além dos demais Poderes e instituições", afirmou.

O ministro frisou a importância de atuar diretamente nos locais que comercializam esses itens, minando a rentabilidade do crime de furto e roubo de celulares nas ruas.

Infiltração no mercado regular e alerta ao consumidor

O secretário Especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Barreirinhas, alertou sobre as estratégias utilizadas por receptadores para burlar a fiscalização e enganar o consumidor.

Segundo o secretário, foram apreendidas em ações no Rio de Janeiro caixas vazias de celulares novos utilizadas para "esquentar" aparelhos roubados, conferindo-lhes aparência de produtos legais.

Barreirinhas reforçou que a população deve verificar a procedência dos aparelhos através de ferramentas governamentais antes de efetuar qualquer compra, principalmente no mercado de usados ou em estabelecimentos não convencionais.

"O cidadão precisa estar atento no momento da aquisição de um celular, pois infelizmente esse mercado escuso [...] está bastante infiltrado no mercado regular. Contudo, as ferramentas disponibilizadas pelo Ministério da Justiça, como o site e o aplicativo Celular Seguro, já são de uso comum e devem ser cada vez mais adotadas pelos consumidores brasileiros [...] É simples, basta acessar o site, inserir o IMEI, e em instantes verificar se o celular é fruto de roubo", afirmou Barreirinhas.

IMEI obrigatório na nota fiscal

Como resposta regulatória para fechar o cerco contra a comercialização ilícita, a Receita Federal anunciou na coletiva a futura obrigatoriedade do registro do número do IMEI na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) de venda.

A medida garantirá que a trajetória do aparelho possa ser acompanhada pelo fisco e pelas forças policiais, e permitirá ao consumidor verificar a procedência do item no ato da compra.

"A medida que estamos discutindo e que podemos anunciar é a inclusão do IMEI em todos os documentos fiscais de venda para facilitar a vida do cidadão, permitindo que ele verifique imediatamente se aquele celular é fruto de roubo e possa avisar as autoridades policiais", concluiu Robinson Barreirinhas.

Primeira fase da Operação Segunda Chamada

Em agosto deste ano, a primeira fase da operação teve como foco a recuperação de celulares roubados ou furtados.

Foram recuperados quase 10 mil celulares e realizadas 396 prisões em flagrante. Na força-tarefa, foram enviadas 51.604 notificações a pessoas que estavam em posse de aparelhos identificados como objetos de crime.

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou o caráter inovador desse processo e a utilização de informações obtidas na primeira fase para orientar as ações atuais. Esta fase do Celular Seguro dá continuidade ao trabalho iniciado com a notificação dos usuários.

A partir das respostas dos adquirentes, foram identificados os principais pontos de receptação de celulares roubados.

"Agora, com a união de esforços dos órgãos envolvidos, ampliamos a fiscalização. A lógica é combater o crime nas ruas e trazer para o centro do problema os comerciantes que dão vazão a celulares roubados", explicou Chico Lucas.


Por Sputinik Brasil