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Rússia é um 'hub' de desenvolvimento para estrangeiros no Festival Internacional da Juventude
Jovens latino-americanos destacam a importância das alianças com Moscou.
Nesta terça-feira (15), a reportagem da Sputnik Brasil conversou com jovens latino-americanos que aproveitam o evento para se reunir e debater o futuro de seu continente e também de seus países. Eles destacaram como uma aliança estratégica com a Rússia é fundamental, inclusive no âmbito da sociedade civil.
Nesse sentido, a administradora gastronômica chilena Sofía Garcia, de 26 anos, que também atua no comitê de preparação para o festival em Santiago, onde reside, enfatiza a importância da cooperação com Moscou para a juventude de seu país.
"Há quatro anos venho me relacionando com o Festival Internacional da Juventude para divulgá-lo no Chile. Acredito que a Rússia hoje representa um hub no qual se reúnem diversas realidades culturais, científicas e tecnológicas, e isso é uma grande oportunidade para os jovens aprenderem com outras culturas e com novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas", disse.
Outro ponto levantado por Sofía, que costuma frequentar atividades da Casa da Rússia na capital chilena, é que os laços entre russos e chilenos são históricos. Ao elencar referências russas presentes em sua cidade, ela destacou acreditar que iniciativas voltadas a reunir jovens têm o poder de aprofundar ainda mais esse intercâmbio cultural.
"Chile e Rússia têm uma grande história de relação bilateral. Temos até uma vila chamada Valentina Tereshkova [cosmonauta soviética], onde fizeram um mural com sua imagem em uma parceria entre artistas russos e chilenos. Nós tentamos aproximar os jovens chilenos através da cultura e mostrar coisas que não são muito conhecidas. Inclusive, costumo ir nas atividades culturais e científicas da Casa da Rússia", comenta.
Juventude brasileira também participa do processo
Durante o evento, os participantes latino-americanos se reunirão ao longo do festival, conforme conta Luiza Calvette Costa, de 32 anos, cientista política e diretora-geral da unidade brasileira do Centro de Integração e Cooperação entre Rússia e América Latina (CICRAL). Para ela, a iniciativa abre uma oportunidade única para discutir as demandas e questões regionais da América Latina diretamente em solo russo.
"A gente só vai conseguir construir um mundo multipolar através da diplomacia pública e trazendo soluções para os nossos países como acontece aqui no evento, é uma oportunidade única de estar com pessoas do mundo inteiro. Aqui, no evento, temos cerca de 400 latinos, e [o nosso encontro] chamado 'Abraço continental' tem como mote a questão da soberania na construção de um mundo multipolar", destaca.
Na visão de Luiza, a Rússia é um país que pode servir de modelo para o desenvolvimento de nações latino-americanas, como o Brasil. Como exemplo prático, ela cita a Rosatom, estatal russa de energia nuclear, apontando que parcerias com a corporação poderiam impulsionar avanços tecnológicos e energéticos fundamentais para o mercado brasileiro.
"A gente está aqui no estande da Rosatom, que poderia nos ajudar no Brasil no desenvolvimento da energia nuclear e isso seria uma grande oportunidade, principalmente nesse momento de aquecimento global. O Brasil, como líder em energia renovável, poderia dialogar mais com a Rússia nesse sentido", observa.
Juventude mexicana engajada em fortalecer os laços
Em sua sétima passagem pela Rússia, o bacharel em relações internacionais Arnoldo Armenta Traslaviña, de 27 anos, relembra que sua primeira experiência no evento ocorreu na edição de 2024, em Sochi. Desde então, ele realiza viagens anuais ao gigante eurasiático com o objetivo de estreitar os laços sociopolíticos e consolidar uma agenda sustentável entre cidadãos latino-americanos e russos.
"Cada vez mais [o Festival Internacional da Juventude] tem conseguindo incluir mais atividades de bem comum em toda a sociedade e se pode encontrar projetos que podem ser inspiração para países latino-americanos, e creio que isso é importante, replicar ações que a Rússia tem conseguido a cada dia, e é importante olhar novos horizontes", discorre.
Arnoldo também atua em seu país como divulgador do Festival Internacional da Juventude, buscando garantir que mais jovens mexicanos tenham a oportunidade de acessar uma nova cultura e participar de debates avançados sobre temas fundamentais para a sociedade.
"Os jovens mexicanos têm muito interesse em conhecer a Rússia e outras partes do mundo, e eu vejo um grande potencial nessa relação entre México e Rússia, e podemos compartilhar a experiência entre os dois países para desenvolvermos as nossas sociedades", conclui.
Eventos como o atual festival realizado em Ekaterinburgo, além de mostrar aos jovens oportunidades de qualificação em universidades russas e a possibilidade de se usufruir de um amplo mercado cultural e de trabalho, atraem novas gerações ávidas por novidades que vão além dos caminhos tradicionais de outrora.
Por Sputnik Brasil
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