Geral
Bolsas da Europa em baixa após alerta sobre IA
Mercado reage a preocupações com segurança da Inteligência Artificial
Por Patricia Lara*
São Paulo, 14/09/2026 - As bolsas europeias operam majoritariamente em baixa, após alertas sobre a segurança da evolução da Inteligência Artificial desatarem pressões vendedoras em ações de tecnologia da região. A semana começa ainda com alta do petróleo e expectativa de aperto monetário no encontro do Federal Reserve na quarta-feira. Londres segue na contramão com alta.
Por volta das 7h07 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 cedia 0,3%, a 637,17 pontos. No mesmo horário, a Bolsa de Londres avançava 0,69%. A Bolsa de Frankfurt perdia 0,57% e a de Paris recuava 0,78%. Milão tinha queda de 1,27%. Madri marcava perda de 0,84% e Lisboa estava em baixa de 1,09%.
Somando-se à alta de cerca de 2,5% nos preços do petróleo, que reverbera pela tensão crescente no Oriente Médio, há a notícia de que as principais fornecedoras de modelos de IA (OpenAI e Anthropic) estão dispostas a desacelerar o avanço de suas tecnologias.
A segurança, em vez do desenvolvimento, surge agora como prioridade para as próprias empresas líderes de IA. Essa mudança de rumo, com o consequente freio implícito proposto pelo setor, tem um claro impacto negativo entre as empresas listadas mais ligadas ao tema de investimento estrela dos últimos anos. "Essa situação levanta, naturalmente, a questão: quem pagará a conta astronômica?", questiona a analista sênior do Swissquote, Ipek Ozkardeskaya.
O alerta coeso de CEOs de empresas concorrentes sobre a IA ocorre em um momento em que o mercado se prepara para um aperto da taxa de juros americana, o que tende a encarecer ainda mais o custo de financiamento dos projetos de infraestrutura para o desenvolvimento de novos projetos de IA.
Entre as gigantes de tecnologia da Europa, a Infineon, STMicroelectronics e a ASML registravam quedas significativas, de 8,3%, 6,1% e 5,8%, respectivamente, na jornada de hoje. A francesa Soitec, que projeta e produz materiais semicondutores, perdia 14% e a Siltronic, fabricante alemã de wafers feitos de silício hiperpuro, derretia 8,2% no mesmo horário.
Já as empresas de bebidas subiam, como a Campari, com alta de 5% em Milão, e Pernod Ricard, que avançava 3,2% em Paris. O desempenho ocorre em meio ao anúncio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que planeja revogar a tarifa de 10% dos EUA sobre o uísque irlandês.
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