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Início do período úmido anima setor elétrico, mas meteorologistas apontam cautela

Chuvas podem trazer alívio, mas irregularidade no verão exige atenção

Estadao Conteudo 12/09/2026
Início do período úmido anima setor elétrico, mas meteorologistas apontam cautela
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As chuvas registradas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste nos primeiros 10 dias de setembro e aquelas previstas até o fim do mês sinalizam o início do período úmido nesse submercado, considerado a caixa d'água do setor elétrico brasileiro. Do ponto de vista energético, as precipitações podem permitir que o nível dos reservatórios das hidrelétricas nessas localidades se mantenha praticamente estável, em patamar considerado confortável até o fim do mês, o que ajuda a derrubar os preços da energia no mercado livre. Entretanto, meteorologistas alertam que o cenário mais molhado pode não perdurar durante todo o verão.

"Esse início de estação úmida será ainda mais intenso devido ao fenômeno El Niño, mas, à medida que avançamos para o final do ano e início do próximo, a irregularidade das chuvas tende a aumentar", afirma o meteorologista da Climatempo, Gustavo Verardo.

Conforme ele, o provável aumento dos dias sem chuvas nos próximos meses, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste, associado às temperaturas mais elevadas em grande parte do país, pode intensificar a demanda por energia no final do ano.

Consequentemente, os preços da energia podem sofrer elevações entre dezembro e o primeiro trimestre de 2027. "Não esperávamos um dezembro tão chuvoso no Sudeste; a partir desse mês, as chuvas de qualidade, que formam ENA, começam a diminuir", acrescentou.

Da mesma forma, o head de Planejamento Energético da Tempo OK, Mateus Nunes, prevê uma redução dos volumes de chuvas nos próximos meses nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o que, associado à seca prevista no Norte e Nordeste devido ao El Niño, deverá complicar a operação do sistema elétrico e aumentar a volatilidade dos preços. "Setembro será favorável, é como se as chuvas iniciassem um pouco mais ao norte, atingindo os reservatórios do Sudeste. Depois, em outubro, descerão um pouco mais, afetando os reservatórios de fio d'água do Sudeste, e em novembro, novamente descerão, restritas à Bacia do Iguaçu, até o estado do Paraná", explicou.

O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, por outro lado, não compartilha do mesmo pessimismo. Segundo ele, diferentes modelos de previsão climatológica indicam continuidade das chuvas no Sul, devido ao El Niño, e também nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. "Mês a mês, as previsões têm se confirmado, tanto pelo modelo europeu quanto pelo americano", disse.

Em suas projeções, São Paulo, o centro-sul de Minas Gerais, o Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul devem registrar chuvas acima da média até dezembro.

Ele também observa que, embora ondas de calor tenham ocorrido em algumas áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, nos grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os períodos mais quentes têm sido breves. "Essa tendência se manterá nos próximos meses", acrescenta.

O especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, menciona que o mercado observa que a Energia Natural Afluente (ENA) de outubro está mais concentrada na bacia do Paraná. "Cerca de 75% da ENA do Sudeste/Centro-Oeste em outubro está no Paraná, o que impacta significativamente no curto prazo, pela capacidade de geração. No entanto, se houver interrupções nas chuvas em um mês, o preço voltará a subir", disse.

No momento, na plataforma de negociações BBCE, os preços da energia estão em trajetória de queda. O valor do megawatt-hora para suprimento em setembro estava sendo negociado na casa de R$ 147 por megawatt-hora (MWh), um patamar inferior ao verificado no fechamento da semana passada (4), de R$ 164/MWh.

Para outubro, o preço chega a R$ 162/MWh, contra os R$ 193/MWh do relatório semanal mais recente. A energia para dezembro estava na faixa dos R$ 262 por MWh, também inferior aos R$ 273/MWh da sexta-feira passada. Já o contrato para o primeiro trimestre de 2027 foi negociado a R$ 288/MWh, abaixo do patamar de R$ 300 observado anteriormente.