Geral
Receio com desdobramentos políticos pesa sobre o Ibovespa
Índice termina em queda após dia de incertezas.
O movimento do Ibovespa nesta sexta-feira foi marcado por um aumento da cautela ao longo da tarde, refletindo o receio dos investidores de ficarem muito expostos ao risco político durante o fim de semana. O temor tem dois focos: a investigação aberta contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse e, principalmente, a quebra de sigilo de todo o caso do Banco Master em 24 horas, determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
O principal índice da B3 se afastou da mínima no fim do dia em um movimento de acomodação, mas, mesmo assim, terminou em baixa de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, com giro financeiro de R$ 17 bilhões. A predominância do otimismo com o avanço de Flávio nas últimas pesquisas eleitorais levou o Ibovespa a segurar ganhos na semana, acumulando alta de 1,11% - quarta semana seguida de desempenho positivo. No mês até aqui, o avanço é de 5,52%; no ano, 16,2%.
Para Juan Lopes, trader da gestora Meraki Capital, o principal fator por trás do movimento da bolsa nesta sexta foi o temor sobre até onde o caso Master pode chegar. "Existe um certo medo do quanto pode respingar e quem pode atingir, e existe um medo principalmente de isso afetar o Flávio de certa forma, seja no caso Dark Horse ou em algo do próprio Master", afirma.
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, também vê risco de o noticiário reverter parte da vantagem que Flávio Bolsonaro vinha galgando, em um momento em que os agentes de mercado dão cada vez mais importância à pauta econômica a partir do ano que vem.
"Existe uma realização de lucros quando a bolsa atinge um determinado patamar, o mercado fica muito dividido e tem que operar eventos políticos, cenário geopolítico e política monetária", afirma Bruna Centeno, economista e sócia-advisor na Blue3 Investimentos. "O dinheiro vai para onde é melhor remunerado e, apesar da bolsa fechar com alta de 1% na semana, é uma melhora em um mercado ainda avesso ao risco."
Já Ricardo Magalhães Modé, diretor de investimentos da Etti Partners, lê o movimento de hoje como uma pausa natural após um mês de forte valorização puxada pelo cenário eleitoral. "Foi uma mega performance do Brasil neste mês, com a virada eleitoral possível. O movimento de alta aqui contra as bolsas do mundo foi muito forte, claramente com viés eleitoral. É natural que haja alguma pausa."
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