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PF conclui que Vorcaro fabricava reputação digital positiva para neutralizar críticas

Investigação revela estratégia de manipulação em redes sociais.

Estadao Conteudo 11/09/2026
PF conclui que Vorcaro fabricava reputação digital positiva para neutralizar críticas
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução

Documentos da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quinta-feira, 10, apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tinha uma estrutura organizada no campo digital para fabricar reputação positiva e neutralizar críticas. A investigação também revela que o empresário demandou que Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", publicasse comentários favoráveis em notícias sobre a venda do Master ao BRB.

"Em relação à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), Felipe Mourão encaminhou diversas matérias sobre o assunto, ocasião em que Daniel Vorcaro determinou a realização imediata de múltiplos comentários nas publicações, a fim de transmitir a impressão de que a operação havia sido bem-sucedida", afirmam os investigadores nos documentos divulgados.

Como já foi relatado pelo Estadão, o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias, encomendou a confecção de um dossiê sobre um diretor do Banco Central para abastecer Daniel Vorcaro durante o processo de fiscalização da autarquia, que resultaria na liquidação do Banco Master. Além disso, mensagens de Luiz Phillipi Mourão, citadas pela PF, mencionam pagamento para "DCM e dois editores", sendo que o site negou ter recebido os documentos.

Nas peças agora sem sigilo, diversos prints de WhatsApp mostram a atuação do Sicário e de Vorcaro na articulação para manipular a percepção pública sobre seus negócios nos meios virtuais. Ele, inclusive, orienta o "funcionário" a garantir que os comentários não sejam excessivamente positivos, a fim de parecerem naturais.

"Registra-se que foram identificados indícios de que Daniel Vorcaro mantém uma estrutura organizada voltada à manipulação de avaliações públicas e à produção artificial de comentários positivos relacionados às empresas sob seu controle. As mensagens analisadas demonstram que integrantes de sua equipe recebiam orientações para elevar notas de aplicativos, inserir avaliações favoráveis e criar interações positivas com o objetivo de reforçar a percepção de qualidade dos serviços prestados", concluem os investigadores.

De acordo com Estadão, em janeiro de 2026, instituições e personalidades envolvidas com a operação do Banco Master sofreram uma tentativa de assassinato de reputação nas redes sociais pouco antes da virada do ano.

O movimento foi concentrado em 36 horas, com picos claros em algumas contas conhecidas por alavancar novas celebridades, principalmente do mundo artístico, mas não teve o potencial de "furar a bolha" e viralizar para geradores de conteúdo mais tradicionais, como a grande mídia.

Conforme as investigações, Vorcaro continuou a atuar no meio digital mesmo após sua prisão. Ele poderia, inclusive, derrubar contas de redes sociais desfavoráveis ao seu grupo, com "aparente facilidade".

Em janeiro, um levantamento obtido pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou uma série de postagens que tentaram prejudicar a credibilidade de órgãos públicos e privados, como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em relação à liquidação extrajudicial do Master, decretada em novembro pelo BC e que está sob o escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU).

A PF avaliou que o uso das redes para influenciar o debate em favor de seus interesses era um modus operandi de Vorcaro. "Dessa forma, mantendo sempre essa prática, Daniel Vorcaro utilizava esse artifício para influenciar a opinião pública e reforçar a noção de que ele e seu banco possuíam uma reputação constantemente positiva", finalizam.