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Caso Bacabal: crianças brasileiras não foram localizadas em operação nos Estados Unidos

Esperança persiste pela localização de Ágatha e Allan.

Estadao Conteudo 11/09/2026
Caso Bacabal: crianças brasileiras não foram localizadas em operação nos Estados Unidos
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Nenhuma criança brasileira foi localizada na operação Statewide Shield, organizada pelo Estado da Flórida, nos Estados Unidos, que resgatou 163 crianças desaparecidas, informou a Polícia Federal (PF) na quarta-feira, 9.

A operação deu esperança para Clarisse Cardoso encontrar os filhos: Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão. Quando uma criança desaparecida é localizada, um advogado ou órgão federal pode solicitar à Interpol a verificação para saber se ela corresponde a uma pessoa desaparecida no Brasil.

Na quarta-feira, Clarice apresentou pessoalmente o pedido à Polícia Federal, na sede da Superintendência Regional do órgão em São Luís, acompanhada da advogada Nathaly Moraes.

A PF coletou material genético da mãe para possibilitar um eventual confronto de DNA caso uma criança seja localizada.

Segundo Nathaly, o confronto genético não foi interrompido após ser descartada a possibilidade de que Ágatha e Allan estejam entre as crianças encontradas nos Estados Unidos. Ao Estadão, a advogada afirmou que o material coletado pela PF também poderá ser utilizado em comparações futuras caso as crianças sejam localizadas em outros países.

"Estou em contato com ONGs internacionais e todas as informações de crianças desaparecidas eu estou em cima. Nós não vamos parar. Eu só paro quando encontrar, quando tiver uma decisão definitiva", disse Nathaly.

A Interpol também ofereceu apoio às buscas por Ágatha e Allan e disponibilizou ferramentas que poderão ser utilizadas na investigação. As crianças devem ser incluídas na lista amarela da organização, destinada a alertas internacionais para pessoas desaparecidas.

Em entrevista coletiva na tarde de quarta-feira, a advogada Nathaly Moraes afirmou que Ágatha e Allan nunca tiveram documentos de identificação, o que dificultou a inclusão de informações sobre os irmãos em bases de dados oficiais e, consequentemente, a identificação de possíveis crianças localizadas.

Apoio da Interpol

Nathaly foi procurada na terça-feira, 8, pelo Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, que colocou à disposição da família ferramentas da Interpol. Com isso, os novos recursos poderão auxiliar na repatriação dos irmãos, caso sejam localizados em outro país.

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado vivo três dias depois, em 7 de janeiro.

A prefeitura de Bacabal destacou que a esperança de encontrar Ágatha e Allan nunca deixou de existir e que todos os esforços ao alcance do município continuam sendo feitos para contribuir com as buscas e a investigação.

A administração municipal ressaltou ainda que "segue garantindo acompanhamento social e psicológico e todo o apoio necessário à mãe e aos familiares das crianças, além de assistência aos moradores da comunidade de São Sebastião dos Pretos, com atenção especial também às crianças e aos adolescentes da comunidade".