Geral
Fachin determina retirada de sigilo do caso Master e envia autos a ministros do STF
Sessão extraordinária discutirá relatório da PF sobre investigações do Banco Master.
Presidente da Corte manteve sob sigilo apenas diligências consideradas imprescindíveis às investigações antes de sessão extraordinária que discutirá relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira (10) a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master que tramitam na Corte.
A decisão ocorre cinco dias antes da sessão extraordinária marcada para 15 de setembro, quando os ministros deverão analisar a validade do relatório da Polícia Federal (PF) que reuniu registros de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em ofício encaminhado ao ministro André Mendonça, relator da petição que concentra as investigações, Fachin solicitou o levantamento do sigilo dos autos e o envio dos procedimentos aos demais gabinetes do Supremo. O presidente da Corte determinou que sejam preservadas apenas as informações referentes a diligências cujo sigilo seja considerado imprescindível para a realização das medidas investigativas.
"Solicita-se [...] o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida."
A decisão foi tomada de ofício e tem como uma das justificativas a sessão extraordinária convocada para a próxima terça-feira (15). Na ocasião, o plenário deverá discutir a controvérsia envolvendo o relatório da PF produzido a partir de determinação de Mendonça, incluindo a regularidade da ordem que permitiu o aprofundamento da análise dos dados do celular de Vorcaro e o destino das informações relacionadas a Moraes.
A medida ocorre em meio à crise interna no STF provocada pelas investigações sobre o Banco Master. Nesta quinta-feira, Fachin passou a tarde em reuniões com ministros da Corte para discutir alternativas para conter a crise e o rito da sessão de terça-feira. Entre os ministros recebidos estiveram Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Luiz Fux. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também esteve no gabinete da Presidência.
A decisão de Fachin ocorre ainda após o PT solicitar a retirada do sigilo das investigações do Banco Master. A petição foi assinada pelo advogado Ângelo Ferraro, coordenador jurídico da campanha de Lula, depois de o presidente do partido, Edinho Silva, defender publicamente a abertura completa dos autos.
Lula havia criticado o que chamou de "vazamentos seletivos" e afirmado que as investigações deveriam ser divulgadas "doa a quem doer". Segundo o presidente, a divulgação parcial de informações poderia ter impacto sobre a corrida eleitoral. O tema foi abordado pelo presidente em sabatina do SBT News nesta quinta-feira, quando voltou a defender a abertura dos sigilos dos casos Master e INSS.
Por Sputinik Brasil
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