Geral
Selic alta e desaceleração econômica derrubam lucros e investimentos das empresas brasileiras
Desempenho das companhias é impactado pela alta dos juros e crise econômica.
Selic a 14% e a rápida desaceleração da economia comprimiram os lucros das empresas brasileiras no segundo trimestre de 2026. Segundo levantamento, as despesas financeiras somaram R$ 99,4 bilhões, alta de 12%, enquanto o lucro líquido avançou apenas 3,9%.
A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 expôs o impacto da Selic a 14% e da desaceleração econômica sobre as empresas brasileiras. As despesas financeiras de 268 companhias listadas na B3 subiram 12,09%, consumindo R$ 99,4 bilhões e limitando o avanço do lucro líquido, que cresceu apenas 3,9% na comparação anual, de acordo com dados compilados por um jornal de grande circulação no país.
Segundo a consultoria Elos Ayta, o desempenho operacional foi sólido, com o lucro operacional de uma empresa (Ebit, na sigla em inglês) avançando quase 25%, mas o peso dos juros e impostos reduziu drasticamente a conversão desse resultado em lucro para os acionistas, fazendo com que o custo financeiro anulasse boa parte dos ganhos operacionais, de acordo com empresários consultados pelo jornal.
A Casas Bahia simbolizou o efeito mais severo do aperto monetário, registrando prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões e prejuízo ajustado de quase R$ 1 bilhão, alta de 76% em um ano. A empresa enfrenta reestruturação profunda, recuperação judicial e renegociação de dívidas que ultrapassam R$ 28 bilhões, em um modelo de negócios altamente dependente de crédito e capital de giro.
A Petrobras, por outro lado, destoou positivamente, beneficiada pela alta do petróleo tipo Brent em meio às tensões geopolíticas advindas da guerra dos EUA e Israel contra o Irã que bloqueou o estreito de Ormuz, pressionando o preço dos combustíveis. A estatal lucrou R$ 52,4 bilhões, salto de 96,8%, razão pela qual também foi excluída do levantamento para evitar distorções.
Com juros elevados, empresas buscaram reduzir endividamento. Segundo um levantamento da XP, a queda da alavancagem média de 1,7 vez o seu lucro para 1,4. Ainda assim, companhias mais endividadas sofreram forte corrosão do lucro, como a MRV&CO, que teve despesa financeira líquida 60% maior e prejuízo de R$ 626 milhões.
Ainda segundo a mídia, no setor bancário, o Itaú manteve previsibilidade e lucrou R$ 12,4 bilhões, enquanto o Banco do Brasil enfrentou maior inadimplência no agronegócio, elevando provisões e reduzindo o lucro para R$ 3,9 bilhões. A desaceleração econômica, mais rápida que o previsto, já afeta decisões de investimento e deve atingir o pico no terceiro trimestre.
Com o produto interno bruto (PIB) crescendo apenas 0,5% no período, empresas adotam postura defensiva, preservam caixa e reduzem investimentos, aprofundando a perda de tração da economia. Setores domésticos e dependentes de consumo, como varejo e serviços básicos, foram os mais pressionados, com lucros fracos ou queda.
Relatório da MB Associados aponta que o esgotamento dos estímulos fiscais e os juros reais entre 7% e 10% ao ano — entre os maiores do mundo — ampliam inadimplência e pedidos de recuperação judicial. A consultoria projeta PIB de 1,8% em 2026 e Selic a 13,75% no fim do ano, com possibilidade de cortes mais rápidos se a economia enfraquecer.
Para o economista Sergio Vale, consultado pela apuração, apenas um ajuste fiscal consistente poderia abrir espaço para queda mais acelerada dos juros, como ocorreu em governos anteriores. Sem isso, o desequilíbrio fiscal continuará sendo obstáculo central para reduzir a Selic e aliviar o custo financeiro das empresas.
Por Sputinik Brasil
Mais lidas
-
1MOBILIDADE
Prefeitura inicia obras de R$ 46,9 milhões para ampliar ponte e criar terceira faixa na Ayrton Senna, na Barra da Tijuca
-
2ESTADO DE SAÚDE
Chiara Ferragni passa mal por causa de altitude durante viagem ao Peru
-
3ESPORTE
Palmeiras domina ranking de vendas mais caras do Brasil com cinco entre as 12 maiores
-
4DEFESA
Chefe da Marinha britânica reconhece o poderio da frota submarina da Rússia
-
5CONCURSO
RJ terá concurso para Secretaria de Planejamento e Gestão com 60 vagas de nível superior