Geral

Exportações brasileiras para os EUA crescem 12,1% em agosto de 2026

Comércio bilateral apresenta oscilações devido a tarifas e fatores externos

Estadao Conteudo 04/09/2026
Exportações brasileiras para os EUA crescem 12,1% em agosto de 2026
- Foto: Reprodução

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos subiram 12,1% em agosto de 2026, somando US$ 3,190 bilhões no mês, em comparação a US$ 2,845 bilhões em agosto de 2025, quando os EUA aplicaram as primeiras tarifas ao Brasil.

Pelo lado das importações, houve uma alta de 1,1% nas compras vindas dos EUA em agosto, totalizando US$ 4,014 bilhões, ante US$ 3,970 bilhões no mesmo mês do ano passado. Assim, a balança comercial com os EUA resultou em déficit de US$ 824 milhões em agosto.

No entanto, no acumulado de janeiro a agosto de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações para os Estados Unidos caíram 9,7%, totalizando US$ 24,105 bilhões. As importações recuaram 8,6%, somando US$ 27,316 bilhões. Dessa forma, a balança comercial com os Estados Unidos apresentou déficit de US$ 3,211 bilhões.

Elevação de preços

Questionado sobre a alta das exportações de produtos brasileiros aos Estados Unidos no mês passado, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que essa elevação se deve à alta de preços dos produtos mais vendidos ao país.

"Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%", argumentou o técnico, em coletiva de imprensa para comentar os dados da balança comercial brasileira de agosto.

Os produtos que mais cresceram em valor absoluto no mês passado foram: aeronaves e outros equipamentos; carne bovina; produtos inacabados de ferro ou aço; cal, cimento e materiais de construção; tubos de ferro ou aço; celulose; e café. Brandão lembrou que as aeronaves e a carne bovina foram excetuadas das novas tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil.

"Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo. Portanto, é esperado que ocorram essas oscilações, não apenas por conta dos produtos diretamente afetados, mas também pelas incertezas que essas interferências geram nos agentes da economia", avaliou.

O diretor ainda lembrou que pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os EUA foi afetado pelas tarifas.

Segundo ele, é esperado que a nova tarifa tenha afetado as vendas no mês de agosto, uma vez que elas passaram a vigorar no final de julho, impactando já o comércio bilateral. "Neste mês de agosto, temos um comparativo com um cenário semelhante do ano passado. Em 2025, a primeira tarifa implementada pelo Brasil também passou a vigorar a partir deste mês", afirmou.

Tempo

Brandão disse ainda que ainda não é possível afirmar que as empresas brasileiras tenham redirecionado para outros mercados os produtos que perderam espaço nos EUA devido às novas tarifas. "O comércio internacional é influenciado por diversos fatores; as intervenções tarifárias, por exemplo, e também o conflito no Oriente Médio, que fez com que os preços dos derivados de combustíveis e fertilizantes crescessem, pressionando o preço de bens agrícolas", sustentou. "No comércio internacional, há muitos ruídos acontecendo ao mesmo tempo, tornando difícil isolar um efeito em um período relativamente curto de tempo."

"Precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento", afirmou Brandão.

Segundo ele, por outro lado, é um comportamento esperado: "Não é que não tenha ocorrido, mas é difícil observar nos dados e fazer essa avaliação neste período de tempo", concluiu.