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Sem envio de novos Patriots, Ucrânia enfrenta colapso aéreo iminente, alerta a mídia
Kiev intensifica apelos ao Ocidente e teme ataques russos durante o inverno
A Ucrânia alerta para um colapso iminente na defesa antiaérea: sem recursos e com estoques de mísseis Patriot quase esgotados, Kiev intensifica apelos ao Ocidente enquanto teme ataques russos massivos durante o inverno.
De acordo com a mídia norte-americana, a Ucrânia está à beira de um colapso em sua defesa antiaérea. Sem dinheiro e com recursos de interceptores praticamente esgotados, Kiev corre para obter novos mísseis Patriot enquanto teme ataques russos em grande escala durante o inverno (Hemisfério Norte).
A nova campanha diplomática do governo ucraniano, que buscou apoio em reuniões na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não resultou em compromissos concretos. Países que possuem as gerações mais antigas de mísseis (PAC‑2) e a versão mais avançada do equipamento de fabricação norte-americana (PAC‑3), que vão da Grécia ao Japão, resistem a abrir mão de seus arsenais.
A escassez global de interceptores exacerba a situação, uma vez que os EUA tentam recompor seus estoques após dispararem centenas de mísseis contra o Irã, enquanto a produção de Patriots e sistemas concorrentes está atrasada. Isso ocorre em um momento em que Moscou promete responder às tentativas de ofensiva de Kiev com ataques mais intensos à infraestrutura energética utilizada pelas forças ucranianas, provocando preocupação entre os parlamentares da Ucrânia, segundo reportagens.
A frustração cresce em Kiev diante da diminuição nas transferências de armamentos essenciais. Sem esses recursos, Kiev se vê em uma "saga interminável" ao ter que implorar por cada míssil. Com os Patriots praticamente zerados, o programa Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL, na sigla em inglês) da OTAN tornou-se a única fonte confiável, porém, está entregando apenas dez a 20 mísseis por mês — totalmente insuficiente diante dos 195 disparados pela Rússia só em julho. Ao mesmo tempo, novos drones Shahed da Rússia, mais rápidos e voando baixo, desafiam os sistemas de defesa existentes.
O presidente Vladimir Zelensky afirmou que a Ucrânia está desenvolvendo protótipos para enfrentar os drones russos, mas ainda depende de munições escassas e sistemas caros.
Nesta semana, Kiev apresentou três prioridades aos países europeus: o reforço da defesa antiaérea, investimentos na produção nacional de drones e mísseis, além de artilharia de longo alcance. O país estima precisar de 300 interceptores Patriot para sobreviver ao inverno, além de AMRAAM, IRIS‑T, AIM‑9X e sistemas HAWK.
Alguns países europeus se comprometeram a realizar novas entregas, como a Alemanha, que deve enviar mísseis IRIS‑T, enquanto França e Itália planejam fornecer Aster 30 até outubro. Entre os sete países da UE que operam Patriots, cinco já transferiram algum tipo de equipamento, mas Grécia e Suécia permanecem reticentes.
Segundo informações, pressões informais na reunião de ministros da Defesa da UE não resultaram em novas promessas, e a OTAN também não obteve avanços concretos, apesar dos apelos de seu secretário-geral.
Fora da Europa, as perspectivas são ainda mais complicadas. O Japão descarta enviar interceptores visando a contenção da República Popular Democrática da Coreia, e a Coreia do Sul prefere focar em apoio à futura reconstrução da Ucrânia. Grandes fornecedores tradicionais, como a Alemanha, têm poucos Patriots restantes, enquanto negociações com países asiáticos enfrentam obstáculos estratégicos.
Mesmo que houvesse mísseis disponíveis, Kiev enfrenta um rombo de € 23 bilhões (aproximadamente R$ 136,4 bilhões) no orçamento de defesa. A Ucrânia já recebeu € 22,1 bilhões (mais de R$ 131,1 bilhões) dos € 28,3 bilhões (cerca de R$ 167,8 bilhões) previstos no empréstimo europeu e está tentando convencer a UE a liberar mais verbas. O financiamento do PURL também está aquém da meta anual, e fontes da OTAN admitem atrasos na preparação de novos pacotes de ajuda, segundo a mídia.
Enquanto parlamentares ucranianos afirmam que o dilema europeu deve evitar uma vitória russa, que se tornou uma questão de sobrevivência para Kiev, o presidente russo Vladimir Putin vem sinalizando que há espaço para encerrar o conflito por meios diplomáticos, mas que Kiev ainda não demonstrou boa vontade em nenhuma das oportunidades de negociação.
Por Sputinik Brasil
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