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'Trade' eleitoral eleva Ibovespa ao maior nível desde maio, com alta de 3%

Investidores se animam com acirramento da disputa eleitoral.

Estadao Conteudo 02/09/2026
'Trade' eleitoral eleva Ibovespa ao maior nível desde maio, com alta de 3%
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Em um pregão marcado por firme alta, o Ibovespa retornou ao patamar dos 185 mil pontos, registrando uma alta de 3,05%, aos 185.205,09 pontos. O movimento foi impulsionado pelo 'trade' eleitoral. Após a divulgação da pesquisa Quaest nesta quarta-feira, os investidores voltaram a se sentir otimistas com o acirramento da disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, acreditando que uma eventual vitória da chapa à direita pode trazer maior compromisso com as contas públicas.

O desempenho da bolsa ressalta que o cenário doméstico contribuiu significativamente para os ganhos. O EWZ (iShares MSCI Brazil), o maior ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, disparou 4,16% no dia, em contraste com o EEM (iShares MSCI Emerging Markets), que subiu apenas 0,57%.

Conforme informado pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), os investidores estão se posicionando em opções de compra (calls) de EWZ e Petrobras para dezembro, pós-eleição, em meio ao aumento da confiança na possível vitória de Flávio.

Um destaque notável que captura esse sentimento político é o Banco do Brasil (+5,50%), uma estatal muito sensível ao 'trade' eleitoral, conforme notam os operadores. As altas também foram percebidas em Vale, Petrobras, nos bancos e no setor de utilities, como Axia e Sabesp.

Segundo Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, "esse movimento é relevante porque o mercado não gosta de incerteza fiscal, e uma parcela importante dos investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa".

O bom humor dos investidores neste dia não se manifesta apenas no Ibovespa, mas também na valorização do real e na diminuição dos juros futuros, o que indica uma redução momentânea do prêmio de risco exigido pelos ativos brasileiros, ressalta Paulo Silva, cofundador da Advisory 360. "Empresas mais sensíveis ao ambiente doméstico e ao risco político acabam respondendo com mais intensidade a essa percepção", afirma.

Para Pedro Galdi, analista do AGF, chama a atenção o fato de o Ibovespa iniciar o mês "se descolando da pressão do exterior", sendo mais um sinal claro de como o mercado brasileiro está refletindo de forma intensa o 'trade' eleitoral.

Além disso, o envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pode complicar ainda mais o jogo político. A exposição de Vorcaro ao lado de Moraes pode ser utilizada como munição eleitoral, já que a oposição explora a imagem do ministro, visto como antagonista do bolsonarismo, para colocar Lula em uma posição defensiva no debate institucional.