Geral

Jovens no Equador enfrentam dificuldades para encontrar empregos dignos

Estatísticas revelam um cenário preocupante para a juventude equatoriana.

Sputnik Brasil 31/08/2026
Jovens no Equador enfrentam dificuldades para encontrar empregos dignos
Jovens equatorianos lutam por oportunidades dignas no mercado de trabalho. - Foto: © AP Photo / Dolores Ochoa

A taxa de equatorianos entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham — conhecidos como "ninis" — registrou um declínio no último ano, ficando abaixo das médias históricas do período pós-pandemia, segundo dados da Pesquisa Nacional de Emprego, Desemprego e Subemprego (ENEMDU), realizada pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INEC).

No entanto, a queda nesse indicador contrasta com a qualidade dos empregos que os jovens estão realmente conseguindo.

O que dizem os números?

As estatísticas do INEC revelam que o desemprego juvenil oscilou em torno de 8,8% no primeiro semestre de 2025, enquanto, em meados de 2026, registrou uma leve redução, estabilizando-se em 7,9%.

Apesar dessa queda, o índice permanece o dobro da taxa nacional de desemprego geral, que é de 3,1%. A proporção de jovens que não estudam nem trabalham caiu de 19,8% em 2025 para aproximadamente 18,1% em 2026.

Segundo projeções populacionais, cerca de 2,2 milhões de pessoas compõem a população economicamente ativa (PEA) em 2026 — ou seja, estão trabalhando ou buscando emprego ativamente.

A maioria dos jovens acaba em situações de subemprego, no setor informal ou em trabalhos que não atendem aos padrões de emprego pleno. Isso significa que a queda no indicador "nini" não se traduz automaticamente na conquista de empregos estáveis ​​que ofereçam seguridade social ou que sejam compatíveis com sua formação acadêmica.

O "emprego adequado" para a faixa etária de 18 a 29 anos mal ultrapassa os 30%, e os dados do INEC mostram que jovens no setor informal ganham, em média, US$ 220,39 por mês, em comparação com US$ 519,07 no emprego formal.

O que pensam os equatorianos?

A Sputnik conversou com jovens do Equador para entender suas perspectivas sobre o mercado de trabalho. As experiências compartilhadas revelam que o desafio central reside na adequação e nas condições de ingresso no mercado de trabalho.

Para Paul Conlago, recém-formado em arquitetura, o cenário é uma mistura de altos e baixos. Embora reconheça ter tido oportunidades de trabalhar em sua área, ele observa que seu caso não é a regra.

"Tive a sorte de participar de projetos, mas é evidente que as oportunidades não são distribuídas de forma igualitária entre todos os recém-formados. A concorrência é acirrada e as vagas formais de emprego são escassas."

A experiência de Susana Valencia, também arquiteta, ilustra a trajetória de subemprego e mudança de rumo profissional. Ela levou um ano e meio para encontrar um emprego, mas a vaga que conseguiu não tinha relação com a arquitetura. Nesse período, teve de repensar suas fontes de renda e seu perfil profissional.

"Finalmente consegui um emprego, mas, sinceramente, não é na minha profissão. Fui para o exterior estudar arquitetura há alguns anos, mas não consegui trabalho na área."

Enquanto isso, Karen Almeida, estudante de direito, aponta o paradoxo envolvendo o primeiro emprego e a condição de estudante.

"Sei como é difícil encontrar trabalho enquanto se estuda. Muitos lugares não dão uma chance porque acham que você não será produtivo o suficiente ou receiam pagar demais — o que consideram um prejuízo."

Por Sputinik Brasil