Geral
Arte em Movimento conecta escolas da rede municipal por meio da cultura
Em agosto, projeto promoveu 15 encontros entre escolas com mais de 400 estudantes envolvidos em atividades culturais
A arte produzida nas escolas da rede pública de ensino de Maceió ganhou novos espaços para circular e conectar estudantes de diferentes territórios da cidade. Esse é o propósito do Projeto Arte em Movimento, desenvolvido pela Coordenação Técnica de Arte e Cultura (CTAC) da Secretaria Municipal de Educação (Semed), em parceria com a Coordenação Técnica de Educação Integral, que promove o intercâmbio artístico e cultural entre unidades da rede.
Entre os dias 11 e 25 de agosto, foram realizados 15 encontros no formato “escola recebe escola”, em que uma unidade anfitriã recebe grupos artísticos de outras escolas da rede para apresentações. Ao todo, cerca de 460 estudantes participaram das atividades, que contemplaram linguagens como música, teatro, dança, artes visuais e manifestações da cultura popular alagoana, como coco de roda, pastoril, guerreiro e carimbó.
As apresentações foram protagonizadas pelos próprios estudantes, acompanhados por professores e coordenadores das unidades envolvidas. A proposta é transformar cada encontro em uma oportunidade de aprendizagem e reconhecimento entre os estudantes.
Para Tércio Smith, coordenador técnico de Arte e Cultura da Semed, o projeto tem ampliado a visibilidade das produções artísticas desenvolvidas pelos estudantes da rede e fortalecido o trabalho realizado nas escolas. Segundo ele, esse movimento também tem ganhado força com a implantação da educação em tempo integral, que amplia as oportunidades de participação dos estudantes em atividades culturais.
Circulação cultural
Foi nesse contexto de valorização cultural da rede que o Arte em Movimento realizou sua primeira edição, em agosto, período dedicado à valorização das culturas populares, tradicionais e ancestrais. “Pelo sucesso e acolhimento das escolas, a intenção é que o projeto seja realizado durante todo o ano, fortalecendo ainda mais a nossa Rede Municipal”, explicou Tércio.
Ao colocar diferentes escolas em contato, o projeto também cria uma ponte entre as manifestações culturais presentes em diferentes regiões de Maceió. Cada unidade leva para os encontros parte da identidade do território onde está inserida, permitindo que os estudantes conheçam outras expressões culturais da própria cidade.
“A partir desse intercâmbio cultural, uma escola passa a conhecer melhor a outra, possibilitando trocas de experiências e o surgimento de novas ideias. A escola que recebe um grupo cultural também se sente motivada a produzir algo nesse sentido”, destacou o coordenador. Nesse sentido, o território daquela escola se amplia e se torna visível. Essa conexão de territórios faz os estudantes se sentirem cada vez mais pertencentes a uma cultura alagoana.
Territórios e pertencimentos
A Escola Municipal Zumbi dos Palmares é um exemplo dessa territorialidade por sua diversidade. A unidade possui grupos como Afro Zumbi, Nega da Costa, capoeira, coco de roda e carimbó. Para o diretor Francisco Nivaldo Ferreira dos Santos, a presença da cultura no ambiente escolar fortalece a relação dos estudantes com a própria comunidade.
“A participação deles foi intensa. Eles se dedicaram como se fosse uma competição. Nossa comunidade é muito forte na cultura, e a escola possui vários grupos culturais, além de abrir as portas para grupos do entorno”, explicou.
Para o diretor, a experiência também teve “um impacto gigantesco e muito positivo, porque nossa escola se torna referência. Ter esses grupos culturais na escola fortalece nossa identidade cultural e desenvolve nos alunos o sentimento de pertencimento”, disse.
Cultura viva
Na Escola Municipal Tradutor João Sampaio, os grupos de música e coco de roda também encontram espaço para desenvolver os talentos dos estudantes. A diretora-geral Adriana Firmino de Lima destaca: "É uma oportunidade muito importante para os estudantes mostrarem suas potencialidades. Para nossos alunos, essa participação foi muito motivadora, e é um orgulho ver todos eles empenhados e buscando melhorar cada vez mais em todos os campos”, pontuou.
Esse estímulo também aparece no olhar de Tércio Smith, que percebe no intercâmbio um potencial que vai além das apresentações. “Alguns chegaram até mim depois das apresentações perguntando como poderiam participar do intercâmbio cultural e dizendo que queriam formar grupos de dança ou de música em suas escolas. Isso mostra o impacto e a motivação que o projeto desperta nos estudantes”, frisou.
Esse impacto também é percebido pelos próprios estudantes, o estudante do 7º ano B da Escola Municipal Tradutor João Sampaio, Murilo da Silva Santos, encontrou no projeto uma oportunidade: “Esse projeto cultural, esse intercâmbio cultural, me ajudou muito na minha vida, porque era um grande sonho. Com os professores ajudando a gente e sempre incentivando, a gente ganha coragem para mostrar mais os nossos talentos. Temos apresentações aqui na escola e também fora dela, mostrando nosso talento em várias partes de Maceió, é uma baita oportunidade. Sou muito grato por tudo”, concluiu.
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