Geral
Dólar sobe para R$ 5,19 com tom duro do presidente do Fed
Valoriza 1% na semana após declarações que aumentam apostas em alta da taxa de juros.
O dólar apresentou alta firme frente ao real nesta sexta-feira, 28, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior. As declarações duras do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, estimularam apostas em uma alta da taxa básica em setembro. O real, que tende a sofrer mais em dias negativos para ativos de risco, teve um desempenho superior a pares como o peso colombiano e o rand sul-africano.
Os operadores avaliam que os ajustes típicos de fim de mês, como remessas ao exterior e a rolagem de contratos futuros, já foram, em grande parte, realizados. A venda de US$ 1 bilhão ontem pelo Banco Central, no mercado à vista, em operação conjugada com a oferta de swaps cambiais reversos no mesmo valor, aumentou a liquidez. Além disso, o real já acumula perdas superiores às de seus pares em agosto.
Após uma queda pontual e bem limitada na abertura do pregão, o dólar manteve-se em alta durante o restante do dia. A escalada do valor para R$ 5,20 começou no fim da manhã, com o discurso de Warsh no Simpósio de Jackson Hole, alcançando o pico a R$ 5,2308 por volta das 13h20. Com a diminuição da pressão compradora nas últimas horas da sessão, o dólar à vista fechou o dia com alta de 0,67%, a R$ 5,1965, resultando em um ganho de 1% na semana. Em agosto, a moeda americana acumula uma alta de 2,49% frente ao real, após uma perda de 1,79% em julho.
O economista sênior Christoph Balz, do banco alemão Commerzbank, destacou uma parte do discurso onde Warsh afirma que o Fed terá "trabalho a fazer" se não houver sinais evidentes de que a inflação está caminhando rapidamente em direção à meta de 2%. "Ele parece demonstrar maior disposição para uma elevação nas taxas de juros, embora ainda não tenha dissipado completamente as dúvidas sobre seu real comprometimento com essa postura mais firme", afirmou Balz em um relatório a clientes.
A taxa do Treasury de 2 anos, relacionada às perspectivas sobre os próximos passos do Fed, subiu mais de 10 pontos-base, atingindo uma máxima de 4,35%. No início da tarde, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava cerca de 55% de probabilidade de que o Fed elevará a taxa de juros no mês que vem. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,50% por volta das 17h, alcançando 99,657 pontos, após uma máxima de 99,726 pontos. O Dollar Index termina a semana com ganhos de quase 0,90%, embora ainda apresente leve perda em agosto.
Citando os riscos de uma alta de juros nos EUA, o Citi decidiu realizar lucros em posições a favor do euro e migrou o financiamento de suas posições em carry trade em emergentes do dólar para outras moedas do grupo G10 (que inclui euro, iene e libra), mas sem especificar uma divisa concreta. "Ainda não consideramos necessária uma alta de juros por parte do Fed, mas a nossa opinião pouco importa. O que conta é a visão do Fed e a postura de hoje foi hawkish", afirma o Citi em um relatório assinado pelo chefe de estratégia de mercados emergentes do banco, Dirk Willer.
No Brasil, os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho, divulgados à tarde, mostraram uma geração de vagas abaixo das expectativas, confirmando a tendência de moderação no mercado de trabalho – o que reforça a perspectiva de novos cortes na taxa Selic. A aposta majoritária é de uma nova redução do juro básico em 0,25 ponto porcentual, para 13,75%.
"Não antevejo uma queda significativa no diferencial de juros para o Brasil. A depreciação do real tende a ser limitada, mesmo durante o período eleitoral", afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, que prevê uma queda da Selic para pelo menos 13,50% até o fim do ano. "Além disso, o Banco Central possui robustez na ponta da venda do dólar para administrar a volatilidade e a falta de liquidez pontual."
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