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Macena: Varejo vem sucessivamente perdendo postos de trabalho, taxa de juros é um fator

Setor enfrenta desafios com a combinação de juros altos e crescentes vendas online.

Estadao Conteudo 28/08/2026
Macena: Varejo vem sucessivamente perdendo postos de trabalho, taxa de juros é um fator
Varejo

O secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Francisco Macena, afirmou nesta sexta-feira, 28, que o varejo vem sucessivamente perdendo postos de trabalho, resultado atribuído a uma combinação de fatores, com destaque para os juros.

Macena comentou os resultados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho de 2026, no lugar do ministro Luiz Marinho. O mercado de trabalho brasileiro abriu 58.568 postos de trabalho em julho, o pior desempenho para um mês neste ano de 2026, além de ser o pior julho da série atual do Novo Caged, iniciada em 2020.

“A taxa de juros é um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, inibindo dois movimentos: a compra do ponto de vista do consumidor e também o impacto dos investimentos realizados”, analisou.

O secretário-executivo também destacou que há uma mudança nas atividades do varejo, com um direcionamento crescente para o comércio virtual e o crescimento das lojas online. “Recebemos no Ministério do Trabalho e Emprego demandas desse setor para intermediação de empregabilidade, refletindo no aumento da contratação nas lojas virtuais”, comentou.

Ele citou especificamente os casos recentes das Casas Bahia e das Lojas Americanas para afirmar que a recuperação das vendas pode vir mais das lojas físicas do que das virtuais. “Acredito que é um reposicionamento momentâneo que o varejo terá que passar e não vejo isso como uma crise estrutural”, observou.

Sobre a estimativa para o saldo final do ano, Macena mencionou a desaceleração do crescimento econômico. “Vamos avaliar como se dará o crescimento em agosto, setembro, outubro e novembro. Todos sabemos que novembro, e principalmente dezembro, são meses negativos para nós na geração de empregos, e vamos acompanhar com expectativa para que o cenário econômico mude um pouco nesse período.”

Referente ao vazamento de dados do Caged, que foram divulgados às 13h24 no site da pasta, o número dois do Ministério do Trabalho afirmou que também quer entender a origem do erro. “Vamos buscar entender de onde saiu esse vazamento. Tomamos todas as medidas, como sempre, para evitar que isso acontecesse. Já havia ocorrido no passado e, a partir daí, corrigimos até os horários em que divulgaríamos o resultado do Caged”, argumentou.