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Com fatores técnicos e conjuntura positiva, taxas de juros têm leve recuo na sessão

Estadao Conteudo 27/08/2026
Com fatores técnicos e conjuntura positiva, taxas de juros têm leve recuo na sessão
Juros - Foto: Depositphotos

A curva de juros futuros deixou para trás a influência da alta do ambiente externo e fechou em recuo modesto no pregão desta quinta-feira, 27.

Segundo profissionais de renda fixa, fatores domésticos formaram uma combinação favorável à perda de fôlego das taxas: com aceitação integral do mercado, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional deixou a impressão de que há demanda firme pelos papéis. A deflação observada no IPCA-15 na quarta-feira e a volta do fluxo estrangeiro à Bolsa nos últimos dias também deram suporte ao alívio dos prêmios na segunda etapa da sessão.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 13,668%, no ajuste da véspera, para mínima intradiária de 13,630%. O DI para janeiro de 2029 cedeu de 14,118% a 14,075%. O DI para janeiro de 2031 oscilou de 14,360% para 14,348%.

Os trechos a partir do meio da curva subiram logo após a divulgação do edital do leilão de quinta-feira, que adicionou US$ 1,05 milhão em risco ao mercado (DV01) - o maior desde 16 de abril deste ano, conforme cálculos da Eytse Estratégia. As taxas, no entanto, saíram com viés fechado, ou seja, abaixo do previsto pelo mercado, além de os lotes terem sido totalmente aceitos. "Fica um sinal de que tinha aplicador final grande. A melhora é interna mesmo, principalmente após o leilão", disse um trader à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) em condição de anonimato.

O diretor de Investimentos em Renda Fixa da Inter Asset, Ian Lima, afirma que, como o resultado do certame foi muito positivo, o mercado "começou a se animar" logo após a operação, devido à sinalização de que há demanda. O movimento técnico, inclusive, chegou a puxar alguma melhora da bolsa e do câmbio no começo da tarde, quando a curva a termo inverteu o sinal de positivo para negativo, apontou. "Ao contrário dos leilões recentes, o realizado nesta quinta-feira espalhou a concentração de risco na parte mais curta dos vencimentos, relacionada à política monetária. O mercado entendeu que tem demanda e aliviou", disse.

Mesmo assim, o diretor avalia que não é possível creditar o comportamento mais benigno dos juros somente ao lado técnico. Como fatores que contribuíram à distensão, mas não necessariamente ocorridos na sessão atual, ele menciona a queda de 0,4% do IPCA-15 de agosto - que, na quarta-feira, foi ofuscada por dados de inflação piores dos Estados Unidos - e ainda, algum retorno do capital estrangeiro à Bolsa observado desde a última sexta-feira. "Tendo a colocar menos peso a uma questão técnica que ocorreu hoje {quinta-feira} e mais para uma história que está se desenrolando nas últimas semanas", reforçou.

Diante das evidências de desaceleração do PIB e desinflação, a XP Investimentos cortou, de 14% para 13,25%, a projeção para a Selic ao fim de 2026. Em relatório assinado pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, e pelo economista Rodolfo Margato, a instituição aponta que as leituras recentes de atividade e inflação vieram abaixo das expectativas, sugerindo que a desaceleração e a desinflação estão se materializando antes do previsto.

Sem influência sobre a curva de juros, o Tesouro Nacional divulgou nesta tarde que o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 10,783 bilhões em julho, abaixo da mediana do Projeções Broadcast, de R$ 11,1 bilhões. Também ignorada pela curva, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou que a taxa de desemprego caiu de 5,4%, nos três meses terminados em junho, a 5,3% no trimestre móvel até julho.