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Psicóloga da Prefeitura de Maceió transforma escuta em cuidado por meio da Teleterapia
À frente do programa, Isabella Costa destaca como o atendimento gratuito amplia o acesso à saúde mental e leva acolhimento a diferentes públicos da capital.
Para Isabella Costa, ser psicóloga sempre esteve ligado à vontade de ouvir, acolher e entender as pessoas. A escolha pela profissão começou ainda na escola, quando ela teve contato com uma psicóloga que acompanhava os estudantes. O trabalho despertou sua curiosidade e, aos poucos, ela percebeu que havia encontrado o caminho que queria seguir.
Formada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Isabella completa oito anos de profissão neste ano e hoje está à frente da gestão do Programa Teleterapia, serviço oferecido pela Prefeitura de Maceió que amplia o acesso da população ao atendimento psicológico. “Eu sempre tive essa questão social um pouco mais aguçada. Tive facilidade de conversar com as pessoas, de ouvir, de direcionar. Esse acolhimento sempre foi muito presente em mim”, conta.
Ao longo da carreira, Isabella passou por diferentes áreas, mas encontrou na Teleterapia uma forma de colocar em prática aquilo que considera essencial na psicologia: oferecer um espaço de escuta e acolhimento. “A Teleterapia democratizou o acesso à psicoterapia. Às vezes, a pessoa trabalha, estuda, chega em casa tarde e não consegue ir a um atendimento presencial. Aqui, ela consegue ter esse cuidado no horário que cabe na rotina dela”, explica.
O programa da Prefeitura de Maceió funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com atendimento contínuo e acompanhamento psicológico. Em pouco mais de um ano, a iniciativa já ultrapassou 500 mil atendimentos, segundo os dados apresentados pela coordenação.
Um dos diferenciais está justamente na possibilidade de chegar a pessoas com rotinas e necessidades diferentes. O atendimento já recebeu desde adolescentes a idosos. A maior idade registrada pela coordenadora foi de 87 anos. “Você pensa que a tecnologia pode ser algo muito distante para uma pessoa de 87 anos. Mas, às vezes, ela conta com a ajuda de alguém, consegue fazer o cadastro e entra na Teleterapia. Isso mostra que, de alguma forma, a gente consegue chegar até essas pessoas”, destaca.
Um cuidado que cabe na rotina
A Teleterapia atende pessoas que enfrentam diferentes situações, como ansiedade, depressão, luto, separação, sobrecarga e também quem simplesmente sente a necessidade de se conhecer melhor. O atendimento remoto também facilita o acesso de quem tem dificuldade de locomoção ou não consegue encaixar uma consulta presencial na rotina.
Isabella conta o caso de uma mãe solo e atípica, que trabalha, estuda e cuida do filho. Sem conseguir encontrar um horário durante o dia, ela passou a fazer a psicoterapia às 23h, quando o filho dorme. “Ela tinha um desejo enorme de cuidar dela. Hoje, ela tem o horário dela, às 11 da noite. É o momento em que consegue parar e olhar para si. É isso que a Teleterapia proporciona: chegar na pessoa da forma que ela precisa”, afirma.
Além do atendimento pela internet, o programa também conta com cabines digitais preparadas para o teleatendimento no Hospital da Cidade (HC), Pam Salgadinho e nas UPAs Santa Lúcia, Benedito Bentes e Trapiche da Barra.
O acesso pode ser feito pelo site teleterapia.org.br ou pelo WhatsApp (82) 3312-5492. Após o cadastro, o usuário passa por uma triagem com psicólogo ou assistente e, em seguida, é definido o plano de atendimento.
Formar novos profissionais também faz parte do cuidado
O programa também abriu espaço para estudantes de psicologia por meio de estágios e parcerias com universidades. Para Isabella, acompanhar o início da trajetória profissional desses estudantes é uma das partes que mais a orgulham. “Cuidar do outro é uma missão linda. É um propósito fantástico. A gente nunca sabe quantas vidas transformou, mas elas saberão”, afirma.
Para quem está começando na profissão, ela deixa um conselho simples: “Manter a humanidade e nunca parar de estudar. Sejam humanos, nunca deixem de estudar. A gente precisa estar sempre preparado, aberto e disponível para acolher, ouvir e direcionar aquela pessoa da melhor forma”, diz.
Neste Dia do Psicólogo, a história de Isabella também ajuda a mostrar como a profissão vai muito além de ouvir problemas. É estar presente, oferecer acolhimento e ajudar cada pessoa a encontrar caminhos para cuidar de si, inclusive quando esse cuidado precisa chegar pela tela do celular.
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