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Corte de Hegseth no Pentágono resulta em ataques letais dos EUA a civis

Decisão polêmica gera indignação e pressão no Congresso americano

Sputnik Brasil 26/08/2026
Corte de Hegseth no Pentágono resulta em ataques letais dos EUA a civis
Corte no programa de proteção a civis gera mortes de não combatentes nas operações militares dos EUA. - Foto: © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

Hegseth ignorou alertas de comandantes e desmontou o programa de proteção a civis, decisão que antecedeu operações no Iêmen e no Irã, marcadas por centenas de mortes de não combatentes, gerando indignação internacional e pressão crescente do Congresso para reativar parcialmente a iniciativa.

Pouco depois de assumir o cargo, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, consultou os principais comandantes sobre reduzir drasticamente o programa de proteção a civis, acreditando que eles apoiariam sua visão de que o foco em segurança civil era "progressista" e incompatível com a "letalidade máxima". A resposta foi unânime: todos rejeitaram a ideia.

Uma sondagem realizada no início de 2025 reforçou o apoio ao programa Mitigação e Resposta a Danos Civis (CHMR, na sigla em inglês), criado após anos de baixas civis em conflitos como Iraque e Afeganistão. Segundo um portal norte-americano especializado em defesa, o programa colocava especialistas em comandos regionais para avaliar riscos a civis e orientar decisões de ataque, reduzindo erros e fortalecendo a precisão operacional.

Hegseth apresentou três opções aos comandantes: cortar 65% da equipe, manter apenas um pequeno escritório em Washington ou eliminar o programa. Nove comandantes defenderam a preservação da estrutura, enquanto dois — responsáveis por operações nucleares e cibernéticas — recusaram todas as alternativas e pediram a manutenção integral do dispositivo.

O Comando Central, que supervisiona operações no Oriente Médio, alertou que reduzir o CHMR aumentaria o risco de identificar incorretamente alvos e diminuiria a consciência situacional no campo de batalha. Generais experientes insistiram que o programa tornava as operações mais precisas e, paradoxalmente, mais letais ao evitar danos colaterais que prejudicam objetivos estratégicos.

Apesar das advertências, o portal destaca que Hegseth desmontou o programa, deixando apenas um núcleo mínimo, mesmo enquanto os EUA ampliavam campanhas militares na Somália, Iêmen e Irã. A decisão marcou o tom de seu reformulado Departamento de Guerra, que rejeitava regras de engajamento voltadas à proteção de civis.

De acordo com o artigo, as consequências foram imediatas e amplamente noticiadas pelos principais jornais nos EUA. A campanha aérea no Iêmen, na primavera (Hemisfério Norte) de 2025, matou 153 civis e feriu 243, incluindo dois ataques entre os mais letais já reconhecidos pelo Pentágono. Hegseth classificou a operação como "clara e limitada, executada com crueldade", mas o impacto internacional foi severo.

Com o CHMR reduzido a poucas dezenas de pessoas, o Comando Central ficou praticamente sem capacidade de mitigação de danos quando os EUA iniciaram ataques ao Irã. No primeiro dia da guerra, um bombardeio atingiu uma escola em Minab, matando mais de 100 crianças e provocando indignação global e questionamentos no Congresso norte-americano.

Senadores democratas e grupos humanitários passaram a questionar se os cortes contribuíram para a tragédia.

Relatórios preliminares divulgados amplamente indicaram falhas de inteligência, mas parlamentares destacaram um padrão de desrespeito às obrigações legais e morais de proteger civis, cobrando explicações formais do Pentágono.

A pressão política e militar levou o Departamento de Defesa a recuar.

Em abril, o subsecretário Elbridge Colby propôs reativar o programa com cerca de 70 funcionários, suficientes para investigações, relatórios e indenizações. Comandantes apoiaram a medida, que permitiria reconstruir equipes regionais e fortalecer o centro de excelência.

O CHMR sempre teve orçamento modesto, mas sua eficácia era amplamente reconhecida. Comandantes afirmavam que mitigar danos civis melhora resultados militares e reduz recrutamento insurgente, lição central das guerras pós-11 de setembro. Para oficiais veteranos, proteger civis e aumentar a eficácia operacional são inseparáveis — duas faces da mesma moeda, conclui a apuração.